Lúpus: uma doença de causa desconhecida

Lúpus é uma doença rara, pro-vocada por um desequilíbrio do sistema imunológico, o qual deveria defender o organismo das agressões externas causadas por vírus, bacté-rias ou outros agentes, ou seja, a defesa imunológica se vira contra os tecidos do próprio organismo como pele, articulações, fígado, coração, pulmão, rins e cérebro.

A doença é mais comum em mulheres (8 mulheres em cada 10 portadores), aparecendo geralmente durante os anos férteis (da menarca à menopausa) e os primeiros sintomas ocorrem geralmente entre a segunda e quarta década de vida.

Em 1851, o médico francês Pierre Lazenave observou pessoas que apresentavam “feridinhas” na pele, como pequenas mordidas de lobo.
Em 1895, o médico canadense Sir William Osler caracterizou melhor o envolvimento das várias partes do corpo e acrescentou a palavra, “sistêmico” à descrição da doença, sendo até hoje assim considerada: Lúpus vem de lobo;   eritematoso vem de vermelhidão e sistêmico vem de todo.

CAUSAS – A causa do lúpus é desconhecida e provavelmente mais de um fator está envolvido. A maioria dos autores assegura que o lúpus não é uma doença contagiosa, infecciosa ou maligna e grande parte dos casos ocorre esporadicamente, levando os cientistas a crer que os fatores genéticos e ambientais (luz solar, estresse, certos medicamentos e vírus), têm um papel importante na doença. Outras causas são: o stress, a exposição solar e hormônios.

O Lupus varia enormemente de um paciente para outro, de casos simples que exigem intervenções médicas mínimas, ou mesmo casos significativos com danos à órgãos vitais como pulmão, coração, rim e cérebro.

SINTOMAS – Dependendo do órgão do corpo que for atacado, a pessoa pode apresentar uma enorme variedade de sintomas que vão desde manchas vermelhas na pele, por causa do comprometimento dos vasos provocado pela doença, a micoses simples ou lesões mais complicadas.
Também é muito comum o aparecimento de lesão no rosto (asa de borboleta), artrite, derrame no pulmão, crises convulsivas e problemas cardíacos.
Independente da forma clínica de manifestação, a doença se caracteriza pela presença de períodos de atividade intercaladas por períodos de remissão que podem durar semanas, meses ou anos, porém, nem todos os pacientes desenvolvem complicações severas.

TIPOS – Os especialistas da área indicam que existem 3 tipos de Lúpus, quais sejam: o lúpus discóide, o lúpus sistêmico, e o lúpus induzido por drogas.

1) Lúpus Discóide
É aquele sempre limitado à pele e, geralmente identificado por inflamações cutâneas que aparecem na face, nuca e couro cabeludo. Aproximadamente 10% das pessoas portadoras do Lúpus Discóide podendo evoluir para o Lúpus Sistêmico, o qual pode afetar quase todos os órgãos ou sistemas do corpo.

2) Lúpus Sistêmico
Esse tipo costuma ser mais grave que o Lúpus Discóide e, como o nome diz (sistêmico=geral), ele pode afetar quase todos os órgãos e sistemas. Em algumas pessoas predominam lesões apenas na pele e nas juntas, em outras podem predominar as juntas, rins, pulmões, sangue, em outras ainda, outros órgãos e tecidos podem ser afetados.

3) Lúpus Induzido por Drogas
Ocorre como conseqüência do uso de certas drogas ou medicamentos. Os sintomas são muito parecidos com o Lúpus Sistêmico. Algumas drogas já foram detectadas como facilitadoras do desenvolvimento de Lúpus, por exemplo, a hidralazina que é um medicamento utilizado no tratamento da hipertensão, ou a procainamida que geralmente usada no tratamento de algumas arritmias cardíacas.

Entretanto, conforme asseguram alguns autores, nem todas as pessoas que tomam esses produtos desenvolverão o Lúpus, e sim, apenas uma pequena porcentagem delas. Isso significa que a imunidade dessas pessoas vulneráveis à doença auto-imune é que é o problema, propriamente dito.

TRATAMENTO – Quanto ao tratamento os autores comentam que apesar de não ter cura, a doença tem tratamento e o paciente tem a perspectiva de uma vida longa e de qualidade. Em casos mais avançados, o tratamento medicamentoso é o mais indicado. Os sintomas do Lúpus respondem rapidamente ao tra-tamento com anti-inflamatórios, ou seja: os não-esteróides (salicilatos, tipo aspirina), e os corticosteróide, cujos objetivos básicos são: reduzir a inflamação dos tecidos afetados, e inibir anormalidades do sistema imunológico, responsáveis pela inflamação.

Devido aos efeitos tóxicos associados a estas drogas, é muito importante que seja conduzido apenas por médicos especialistas. Caso não haja resposta positiva com o uso desses medicamentos os especialistas geralmente aplicam a quimioterapia.

Pacientes que não precisam de remédio costumam seguir uma rotina que inclui: o uso de bloqueadores solares com FPS 15 ou mais, exercí-cios físicos, sono adequado e uma die-ta balanceada.

Uma boa idéia é usar um chapéu de aba larga e roupas feitas de tecidos que fornecem proteção contra os raios solares.

* Terezinha de Freitas Ferreira é doutora em Enfermagem pela Universidade de São Paulo – USP. Professora do Centro de Ciências da Saúde e do Desporto da Universidade Federal do Acre – Ufac. Coordenadora do Mestrado e Doutorado Interinstitucional em Saúde Pública da Universidade de São Paulo – USP/Ufac.

 

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