Envelhecimento: um problema de saúde pública

É uma constatação: estamos conseguindo ficar mais velhos, e se esse fato nos dá satisfação, nos traz também problemas e preocupações. O IBGE demonstrou que a expectativa de vida do brasileiro que em 1998 era de 65,9 anos para homens e 73,5 anos para mulheres, aumentou em 2006 para 68,5 e 76,1 respectivamente.

Com nomenclaturas diversas como: “climatério masculino”, “andropausa”, “declínio androgênico no homem que envelhece (DAEM)”; enfim, cientistas do mundo inteiro se interessam pelos fenômenos que ocorrem com o declínio das funções fisiológicas.

Nosso país, tradicionalmente conhecido como de povo jovem, com sistema de saúde pública sabidamente fragilizada, se vê diante de uma situação inédita, com a população de idosos crescendo diuturnamente, sem acompanhamento de mesma intensidade nos fatores culturais, sociais e de políticas públicas com foco específico no idoso.

Trabalhos recentes no Brasil, demonstraram que 85% da população de idoso acordam a noite para urinar, 37% das mulheres e 16% dos homens sofrem de incontinência urinária, gerando medo e má qualidade de vida, 60% são sexualmente inativos, 30% apresentam ejaculação precoce, 70% das mulheres não gostam e nem tem interesse em melhorar o desempenho sexual.

A sociedade Brasileira de Urologia (SBU), agiu proativamente e há mais de 10 anos vem colocando o assunto em pauta em congressos e encontros da especialidade, de modo que todo urologista já está engajado nesse setor do desenvolvimento científico e social. Após várias reuniões de membros urologistas da SBU com o Ministério da Saúde, foi efetivada uma parceria e o PROGRAMA DE SAÚDE DO HOMEM saiu do papel, ganhou a mídia, culminando em um encontro nacional, onde os estados deveriam enviar seus representantes e seus projetos, para serem agraciados com verbas já disponíveis para a existência de fato do programa.

Nosso Estado, apesar de previamente ter sido instruído por membro da SBU, foi o único da Federação a não apresentar nem representante, nem projeto, ficando os recursos do Ministério em situação aberta, com possibilidade de perda total.

Vale salientar, no entanto, que nosso Estado foi o primeiro a se adequar a solicitação do Ministério há 10 anos da obrigatoriedade do serviço de prevenção de câncer de próstata, existente até os dias de hoje, com funcionamento no Cecon, doença esta que faz parte do envelhecimento masculino e, é responsável pela morte de considerável parcela da população idosa. Porém, outras questões hormonais, uriná-rias, neurológicas, cardiológicas, psico-sociais de relevância e tantas outras a serem discutidas por equipes multidisciplinares são deixadas de lado aos olhos dos políticos e mandatários dos serviços de saúde pública do nosso país.

O caminho é longo e árduo mas como bom brasileiro, creio em um futuro próximo promissor onde os procedimentos médicos sejam mais preventivos que curativos e possamos gozar em toda a amplitude do direito de viver com qualidade.

* Mauro Trindade é médico urologista com pós-graduação em gestão de unidade de saúde.

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