Greve dos agentes penitenciários pode deixar presídios desprotegidos

Dos 880 agentes penitenciários do Acre apenas 30% estarão nos seus postos de trabalho na próxima quarta-feira, 24. O indicativo de greve foi protocolado ontem, pelo presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Acre (Sindap), Adriano Marques, e pode deixar mais vulnerável o sistema carcerário acreano.
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Na escala normal, são destacados três agentes para vi-giar um pavilhão com até 150 presos. Com a paralisação, a segurança será reduzida para apenas um agente, existindo ainda o risco de muitos ficaram completamente desprotegidos. Serão 616 agentes a menos para vigiar os 11 presídios existentes no Estado, dos quais 7 funcionam na Capital.

A paralisação, segundo Adriano Marques, visa abrir o diálogo em torno da pauta de reivindicação da categoria, composta por 25 itens. Um dos pedidos é a exoneração do diretor-presidente do Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen), Leonardo Carvalho das Neves.

Eles querem ainda as demissões do chefe do Departamento de Inteligência e do diretor da Unidade Peniten-ciária 4 – como atualmente é denominada a antiga Papudinha. “Estamos há um ano e quatro meses buscando melhorias e não vemos nada de concreto”, protesta Adriano. Os agentes também reivindicam melhores condições de trabalho e o chamamento dos 440 concursados.

O presidente do Sindap denuncia ainda que está proibido de entrar na UP-4 para visitar os colegas que estão presos, sob acusação de participar na morte de um preso na Unidade Penitenciária Antônio Amaro Alves. Medida, que ele afirma, demonstrar a forma como são tratados os agentes penitenciários pela direção do Iapen.

Caso o governo não acene para uma negociação, Adriano Marques avisa que os agentes irão montar acampamento em frente ao gabinete oficial do governador Binho Marques (PT). “O governo está colhendo o que plantou. Somente quando ameaçamos entrar em greve é que eles falam com a gente”, disse.

CASO MAGAYVER – Na manhã de ontem, a Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Acre, negou à unidade, o habeas corpus impetrado em favor dos três agentes penitenciários acusados de maus-tratos e tortura do preso provisório Magayver Batista de Souza, encontrado morto dentro da Unidade Penitenciária Antônio Amaro Alves.

O Sindicato dos Agentes Penitenciários do Acre já constituiu advogado para recorrer da decisão ao Supe-rior Tribunal de Justiça (STJ). Uma das alegações é que dois dos três agentes estariam de férias no dia do ocorrido e que as acusações se baseiam em declarações de criminosos.

Diretor do Iapen questiona legalidade do movimento
O diretor do Iapen, Leonardo das Neves, questiona a legalidade do movimento grevista, mas assegura que caso ele venha a se concretizar o comando da Polícia Militar do Acre será acionado para evitar que os presídios do Estado fiquem desprotegidos. Até a tarde de ontem, ele não havia recebido a pauta de reivindicação da categoria.

Em relação ao pedido de exoneração da sua pessoa, ele disse que os agentes estão confundido pauta de gestão interna com as questões de interesse da categoria. “Eles estão querendo transformar um movimento trabalhista numa questão política”, criticou.

Leonardo garantiu ainda que o sindicato sempre foi chamado para discutir as questões de interesse dos agentes.

 

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