A vida pede socorro

Em tese, vida longa é o sonho de todo mortal. Talvez seja por isso que ficamos perplexos todas as vezes que tomamos conhecimento de um caso de suicídio, principalmente quando este se relaciona a uma pessoa jovem, como se diz na gíria popular, ainda na “flor da idade”.

Durkheim nos ensina que “o suicídio não é mais do que um fenômeno decorrente de um grande número de diferentes causas, e que se apresenta com características muito diferentes”. Alucinação, depressão, melancolia, compõem a lista dos fatores que podem levar uma pessoa a encurtar a sua existência.

O estudo feito por Durkheim observa que a pessoa pode se matar para escapar a um perigo, a uma vergonha imaginária ou para obedecer a uma misteriosa ordem recebida do alto. De um momento para outro surge à alucinação ou o delírio que leva o sujeito à decisão de se autodestruir.

O suicídio pode ainda se relacionar a um estado de extrema depressão, de exagerada tristeza, que faz com que a pessoa já não veja mais motivos para levar adiante a existência. Ou então pode não ter nenhum motivo especial, real ou imaginário, mas tão somente a idéia fixa de morte, que sem razão apresentável, apodera-se soberanamente do espírito do doente.

Neste início de 2010, várias ocorrências do gênero foram registradas no Acre. Felizmente algumas conseguiram ser evitadas, outras, no entanto, foram friamente calculadas de forma que os corpos só fossem encontrados quando neles a vida não habitasse mais.

Os gregos acreditavam que a pessoa física que pode ser vista e tocada é animada por uma duplicata imaterial, a quem chamavam de alma. De acordo com esse conceito dualístico, o “homem escondido dentro do homem dirige e controla o comportamento do ser físico”.

Caso esta duplicata invisível perdesse o controle, a duplicata visível estaria fadada à autodestruição. Daí porque os estudos voltados ao suicídio estejam mais direcionados a psicologia humana. Pena que a saúde mental não esteja na lista de prioridade dos gestores públicos.

Apesar do esforço sobre-humano do Dr. Paolino e sua equipe, sabemos que o único Hospital de Saúde Mental do Acre, o Hosmac, não dispõe da estrutura necessária para atender aqueles que precisam de atendimento especializado. E as nossas unidades de saúde idem. Algo para ser urgentemente repensado.

* Dulcinéia Azevedo é jornalista e escreve às terças-feiras nesta coluna. E-mail: [email protected]

 

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