A lei do silêncio

Ninguém deve ser arrogante e nem subestimar a sabedoria dos eleitores. Mas tem coisa que nos faz realmente refletir sobre aquela famigerada frase: “o povo não sabe votar”. Estou fazendo a cobertura jornalística da Aleac há quase dois anos. Acho importante o debate entre oposição e situação que acontece na tribuna da Casa. Lá estão os temas mais importantes da vida social e econômica do Acre. Algumas vezes a paixão política se sobrepõe a informação verídica. Mas de qualquer maneira é a exposição de idéias e pontos de vista dos parlamentares que fazem a manutenção da vida democrática no Acre.

A tribuna da Aleac é um espaço livre de qualquer tipo de censura. Cada deputado pode falar de acordo com a sua consciência e as necessidades de transformação social que sente. É justo! Cada um deles é representante da parcela da so-ciedade responsável pela sua eleição. Numa visão macro representam a população acreana como um todo.

Agora, a pergunta que não quer calar: como alguém pode representar alguém calado e escondido num canto do plenário da Aleac? Se um deputado vai me representar tem que expressar publicamente os meus anseios. Tem que manifestar aquilo que as comunidades, os sindicatos, as cidades, os bairros os quais representa necessitam. Será que a imprensa e as instituições terão que adivinhar o que passa na cabeça de um deputado que ganha um bom salário para ficar quieto? O que estão fazendo lá esses parlamentares que não se manifestam? A quem eles representam? Estariam eles enganando os seus eleitores?  

Agora, a pergunta mais delicada: como é que esses “silenciosos” são eleitos? Se eu fosse do TRE, nessa eleição, faria uma investigação profunda da atuação parlamentar de cada um dos deputados da Aleac. Quantas vezes ocupou a tribuna, quantos projetos e requerimentos apresentou, quantas sessões esteve presente, etc. Por aí se pode encontrar o caminho para desvendar um dos maiores crimes que se pode cometer contra uma sociedade democrática, a compra de votos.    

Não é possível que alguém que passe quatro anos enganando a população acreana consiga se reeleger. Se não representa ninguém é porque só pode estar comprando votos. E os eleitores têm que prestar mais atenção. Votar num candidato porque é amigo, primo, tio ou porque deu uma passagem, um telhado de alumínio, ou seja o que for, é muito pouco. Se ganha no varejo, mas se perde no atacado. Aliás, esse tipo de voto faz com que toda a sociedade perca.

Está na hora dos eleitores exercerem o grande poder de transformação que possuem que é o voto. Coloquem representantes verdadeiros, na Aleac, seja governista ou oposicionista, que possam representar os nossos anseios. A eleição da nossa Casa Parlamentar é muito mais importante do que aparenta. Pensem bem na hora de escolher o seu próximo candidato a deputado estadual. Quem sabe a gente consiga quebrar de vez a lei do silêncio no Estado.

* Nelson Liano é jornalista
[email protected]     

 

Assuntos desta notícia

Join the Conversation