Carnaval socialista

O Governo alcançou os seus objetivos com o Carnaval da Floresta Digital, no Arena. O ambiente muito bem decorado, as bandas animando os foliões, banheiros limpos e, sobretudo, muita segurança com mais de trezentos policiais. Um Carnaval onde crianças, jovens, velhos e adultos curtiram sem restrições. No arrastão de blocos, no domingo, debaixo de chuva, o governador Binho Marques (PT), acompanhou tudo de perto e pôde curtir a sua popularidade.

Mas ainda assim houve algumas críticas. Tem gente que acha que o Carnaval patrocinado pelo Governo inibe as manifestações carnavalescas espontâneas da população. É verdade, mas o Carnaval no Acre reflete o seu modelo político, econômico e social. A dependência governamental em todos os setores da sociedade ainda é muito grande.  Há 12 anos com um governo mais a esquerda o Estado é um protótipo engatinhando de socialismo.

Tem gente que vai ironizar. Mas é bom lembrar uma experiência parecida. O “socialismo moreno”, no Rio de Janeiro, de Leonel Bri-zola, nos anos 80, que tinha o antropólogo Darcy Ribeiro como seu arquiteto ideológico. Nessa época surgiram os CIEPS, ou “Brizolões”, escolas de tempo integral para as crianças mais pobres. Investimentos maciços nas favelas cariocas, com saneamento, planos inclinados e elevadores. Mudanças radicais na gestão da Universidade Estadual do Rio (UERJ), que foi a primeira a ter cotas raciais, estatização de empresas, homenagens oficiais a heróis negros e indígenas, entre outros projetos socializantes.

Os policiais eram obrigados a tratarem os moradores das favelas com respeito. Por outro lado, não reprimiam o tráfico de drogas nos morros para garantir a segurança no asfalto. É claro, isso fortaleceu as facções criminosas do tráfico, mas diminuiu o número de assaltos a bancos, lojas, etc. Eram os próprios traficantes que reprimiam os assaltantes para não atrapalhar o movimento de venda de drogas. Uma coisa compensou a outra e o índice de violência pública no Rio diminuiu vertiginosamente.

O Governo injetou dinheiro na economia através de grandes obras como a construção de centenas de Cieps, Sambódromo e a linha vermelha. Sem falar em outras ações sociais para aumentar a renda dos mais desfavorecidos. Até no carnaval carioca o “socialismo moreno” de Brizola e Darcy Ribeiro interferiu. O governo entrou no circuito para patrocinar as escolas de samba no lugar dos “bicheiros”. O Sambódromo assim como o Arena diminuiu as manifestações carnavalescas populares no Rio como os blocos de sujos, de Clóvis, etc. Fica mais fácil ter o controle com toda festa reunida num só lugar. 

Agora, tudo isso, tanto Rio quanto no Acre, refletem opções populares feitas nas urnas. Quem concorda com o protótipo socialista acreano votará na FPA e quem não gosta do modelo terá opções na oposição. É tudo uma questão de democracia onde a vitória é da maioria. 

* Nelson Liano é jornalista
[email protected]     

Assuntos desta notícia

Join the Conversation