Aproveitando da necessidade

Acabou o período carnavalesco, agora é hora de enfrentar alguns problemas comuns para parte da população acreana. Uma epidemia de dengue – apesar de muitos afirmarem o contrário – e uma possível enchente em algumas cidades, entre elas, com certeza, Rio Branco.

Este ano, ao contrário de alguns anteriores, o Carnaval não teve que dividir a atenção com os desabrigados da enchente. Todos puderam se divertir ou partirem para seus retiros religiosos, ou não, sem o peso na consciência de que semelhantes estariam passando dificuldades enquanto se divertiam.

Porém o que deve ser analisada, no caso de uma enchente, sempre neste período, é o que fazer com os desabrigados? Depois, para onde levar essas pessoas, doar ou não casas populares, como ocorrem todos os anos? E por último, o que fazer com a região atingida pela alagação?

Li o artigo do professor e pesquisador Evandro Ferreira que faz uma análise desta “indústria da alagação”, sobre o que planejam e quais os pedidos que querem das autoridades. Comenta-se inclusive que uma delas, isso é claro no caso de alagação – que é quase certa -, é a doação das casas do Parque Residencial Sabiá. E, em época de eleição, é quase certo conseguirem.

Lembro que em anos anteriores, outras casas foram oferecidas para os alagados, para que saíssem das áreas de risco. O que se constata é que boa parte, senão a maioria, acabam re-tornando para os mesmos espaços às margens de seus rios, sejam o Acre, Iaco, entre outros. “O que fazer neste tipo de caso?” é a principal pergunta.

O dinheiro gasto neste período poderia ser o último, no entanto é preciso gastar um pouco mais. É certo que a “indústria da alagação” irá funcionar e possivelmente novas casas serão doadas, mas o que fazer com as casas abandonadas? Praças, áreas esportivas, áreas verdes, entre outras, poderiam evitar o retorno dos desabrigados.

Claro, ia me esquecendo de ressaltar que grande parte da alagação pode ser responsabilidade de todos nós. Estive no Rio São Francisco, durante o período em que passou por uma limpeza tirando toneladas de lixo, na grande maioria reciclável. São na grande maioria os moradores de suas margens, utilizando-o como depósito de lixo e pagando o preço. Meses antes, o São Francisco transbordou em alguns bairros, inclusive o Raimundo Melo, onde, infelizmente, muitos moradores faziam deste mecanismo de “despejo de lixo”.

Sobre a dengue, deixo outro analista avaliar de quem é a responsabilidade. Nossa? Dos governantes?
 
Ramiro Marcelo é jornalista.
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