Free sex no Carnaval?

Chegamos a marca zero, quando o calendário no Brasil finalmente inicia. Somente quando as máscaras caem, o desejo é liberado, o libido transborda, é que o comércio normaliza, as pessoas conseguem raciocinar. Acredito até que o fim do mundo, no Brasil, será apenas na quarta-feira de cinza. E mesmo assim somente após o meio-dia.

O governo, é claro, faz a sua parte em propagar o uso da camisinha durante o período carnavalesco, numa tentativa de minimizar algumas DST’s (doenças sexualmente transmissíveis). No entanto o que se percebe, pelo menos do ponto de vista de alguns, inclusive a minha, é que as propagandas estão creden-ciando o sexo livre. Para isto precisa apenas estar municiado (a) com um (a) camisinha.

Como surgiu o Carnaval? Muitas explicações. Uma festa pagã? Uma oferta para alguns deuses ou simplesmente governantes buscando o prazer da carne?
Algumas reli-giões protestam pelo excesso de libertinagem. Segundo eles próprios, o combate não é tanto contra o uso da camisinha, mas pela quebra das regras religiosas, entre os quais, ser fiel ao teu companheiro, se preservar para o casamento, não desejar a mulher – ou do homem – do próximo.

Que diferença faz alguns centros brasileiros durante o Carnaval do “bíblico” Sodoma e Gomorra? Quem pode acreditar ser inocente no meio da loucura? Como não ceder a tentação quando tudo que vem acompanhada de uma loira, mulata ou morena apenas de um discreto tampa sex?

As bebidas alcoólicas e outros influentes químicos auxiliam na transformação de humor dos foliões. Neste período os profissionais que mais trabalham, com certeza, são da área de Saúde e Segurança Pública. É preciso ponderação, no trânsito, nos salões de festas, na festa do Governo, tudo para que a quarta-feira não seja de cinzas para muitas famílias.

Para quem sabe utilizar, o Carnaval pode ser um momento de lazer, entretenimento nas várias festas populares ou simplesmente uma rara oportunidade de escapar desta insanidade da vida moderna e fazer uma reflexão espiritual sobre o que esperar depois deste breve fôlego que é a vida.

Ramiro Marcelo é jornalista.
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