Vou meter a língua!

O Carnaval terminou, tudo muito bem, tudo muito bom.

O Arena da Floresta estava um primor. Coisa de primeiro mundo. Altamente high demotech special line e fez jus ao título Viva o Carnaval na Floresta Digital.
Pode até ser interessante e, administrativamente, mais fácil de organizar e unir o povo, num único lugar, para a festa, por questões de segurança o que, aliás, não faltou.

O que faltou mesmo foi permissão para a irreverência popular se manifestar.

Numa data em que o restante do Brasil aproveita para fomentar a geração de emprego e renda, nosso Acre perde a oportunidade de gerar muito mais ocupação e renda ao não estimular a disputa de blocos de rua. Não estou dizendo que o governo deveria bancar os blocos como fazia antigamente com as escolas de samba da Capital. Falo de deixar a iniciativa privada tomar conta de um nicho de mercado que se alastra por todo o Brasil.

Uma disputa de blocos movimentaria o comércio de tecidos, ateliês, malharias, casas de pinturas, carros de som, costureiras, designers, taxistas, músicos, loja de instrumentos, estúdios de gravação e mais uma porção de outros profissionais.

A máquina governamental simplesmente estatizou o carnaval acreano.

Impediu que alguns blocos como Maria Chita e Linguarudos colocassem seus carros de som na avenida para embalar seus integrantes ao som de seus temas.

Que graça tem andar atrás de um carro de som, pago pelo governo, sem ter direito de ouvir e cantar a música do seu bloco??? Sem poder fazer a sua coreografia???

O que vimos no Arrastão da Alegria foi um monte de pessoas deso-rientadas, cada uma com o abadá do seu bloco preferido, mas dispersas. O que une a galera de um bloco é o grito de guerra, é o carro de som com a marca do bloco, com a música tema rolando.
Não gostei.

A Gazeta 93,3 FM colocou 400 pessoas na Gameleira para participar do arrastão, até o Arena, e nem tocaram, uma única vez, a nossa música, conforme o combinado. Um verdadeiro desrespeito.

Sergio Sampaio retrata bem o que eu senti neste último carnaval: “há quem diga que eu dormi de touca/Que eu perdi a boca, que eu fugi da briga/Que eu caí do galho e que não vi saída/Que eu morri de medo quando o pau quebrou/Há quem diga que eu não sei de nada/Que eu não sou de nada e não peço desculpas/Que eu não tenho culpa, mas que eu dei bobeira.

E que Durango Kid quase me pegou/Eu, por mim, queria isso e aquilo/Um quilo mais daquilo, um grilo menos disso/É disso que eu preciso ou não é nada disso/Eu quero todo mundo nesse carnaval…/Eu quero é botar meu bloco na rua/Brincar, botar pra gemer/Eu quero é botar meu bloco na rua gingar, pra dar e vender”.

Pronto. Linguaruda que sou desabafei. Que a equipe do próximo governo veja no Carnaval um aquecimento econômico para os acreanos, que incentive essa festa popular e permita que o povo brinque, se divirta e dispute o título de melhor bloco de rua até chegar no Arena da Floresta.

* Eliane Sinhasique é jornalista, radialista, publicitária e integrante do Bloco Linguarudos.

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