Câncer da pele: proteção ao sol na infância e adolescência reduz os riscos

Câncer da pele é o crescimento anormal e descontrolado das células que compõem a pele. Estas células se dispõem formando camadas e, dependendo da camada afetada, teremos os diferentes tipos de câncer.

Segundo o INCA (2007), embora o câncer de pele seja o tipo de câncer mais freqüente, correspondendo a cerca de 25% de todos os tumores malignos registrados no Brasil, quando detectado precocemente este tipo de câncer apresenta altos percen-tuais de cura.

As neoplasias cutâneas estão relacionadas a alguns fatores de risco, como o químico (arsênico), a radiação ionizante, processo irritativo crônico (úlcera de Marjolin), genoder-matoses (xeroderma pigmentos etc) e principalmente à exposição aos raios ultravioletas do sol.  Existem três tipos de câncer de pele (ARRUDA, 2007), quais sejam:

TIPO 1 – CARCINOMA BASOCELULAR
É o mais freqüente (70% dos casos). Ele é mais comum após os 40 anos, em pessoas de pele clara. Seu surgimento está diretamente ligado à exposição solar cumulativa durante a vida. Pode se manifestar de diversas formas, mas em sua apresentação mais típica inicia-se como pequena lesão consistente, de cor rósea ou translúcida e aspecto “perolado”, liso e brilhante, com finos vasos sanguíneos na superfície e que cresce progressiva e lentamente.

TIPO 2 – CARCINOMA ESPINOCELULAR
É o segundo tipo mais comum e pode provocar metástase (células deformadas que irradiam pelo sistema linfático e provocam tumores em outros órgãos). As lesões atingem principalmente a face e a parte externa dos membros superiores. Iniciam-se pequenas, endurecidas e tem crescimento rápido, podendo chegar a alguns centímetros em poucos meses. Crescem infiltrando-se nos tecidos subjacentes e também para cima, formando lesões elevadas ou vegetantes (aspecto de couve-flor). É freqüente haver ulceração (formação de feridas) com sangramento.

TIPO 3 – MELANOMA
É o tipo mais perigoso, com alto potencial de produzir metástase. Pode levar à morte se não houver diagnóstico e tratamento precoces. É mais freqüente em pessoas de pele clara e sensível. Normalmente, inicia-se com uma mancha escura que aumenta de tamanho em extensão e/ou profundidade, com alteração de suas cores originais, surgimento de pontos pigmen-tados ao redor da lesão inicial, ulceração (formação de ferida), sangra-mento ou sintomas como coceira, dor ou inflamação.

DIAGNÓSTICO
O diagnóstico do melanoma é feito principalmente através de pintas preexistentes, que mostram sinais como mudança de cor e aspecto. Para examinar essas pintas e constatar alguma irregularidade, usa-se o método ABCD, que de acordo com Cicco (2007) significa:
– assimetria (A),
– bordas irregulares (B),
– cor negra ou mista (C), e
– diâmetro maior que 0,8 cm (D).

Se a pessoa tiver uma pinta dentro desse perfil, a visita ao médico é primordial. Deve-se também observar o aparecimento de verrugas inchadas nas áreas mais expostas do corpo.

Normalmente os raios ultravio-letas são responsáveis por uma degeneração branda, que altera a camada superficial da pele, provocando descamações freqüentes, mais conhecidas pelos médicos como queratose.

A partir desse pré-câncer o excesso de sol pode atingir camadas mais profundas da pele, e como conseqüência o câncer de camada basal ou camada espinhosa.

TRATAMENTO
O tratamento é cirúrgico na maio-ria das vezes ou através da destruição das lesões por radioterapia ou criocirurgia com nitrogênio líquido.
Quanto antes a lesão for retirada, maior a chance de se curar a doença e de se evitar a disseminação de células cancerosas para outros órgãos (metástases), muito rara nos casos de carcinoma basocelular, porém muito freqüente nos casos de melanoma não tratados.

PREVENÇÃO
A arma mais eficaz contra o câncer de pele é manter-se bem longe dos raios solares, principalmente os ultravioletas (entre 10 e 15 horas).
Segundo Murad (2007), é preciso ter cuidado com o uso do protetor, que de aliado pode passar a inimigo. Isto porque a pessoa passa o produto uma vez e julga estar protegida o dia inteiro. Considerando que os produtos são muito fortes, a pessoa não fica vermelha e nem sente o corpo arder, mas está absorvendo toda a radiação.

A exposição exagerada ao sol é um dos fatores, mas não é o único. O câncer de pele também é provocado por fatores genéticos e ambientais, como a destruição da camada de ozônio. Se não for tratado no início leva facilmente à morte, pois pode causar metástase.

SINAIS DE ALERTA
A comunidade médica mundial está alarmada com o crescimento da incidência de melanoma (câncer de pele com potencial letal), nos últimos anos. Estudos recentes revelam que a proteção ao sol na infância e adolescência reduz os riscos de câncer de pele.

Portanto, a Sociedade Brasileira de Dermatologia recomenda que desde cedo, as crianças devem ser protegidas.

No caso de lesões suspeitas, recomenda-se procurar um derma-tologista para uma avaliação e diagnóstico precoce.

* Terezinha de Freitas Ferreira é doutora em Enfermagem pela Universidade de São Paulo – USP. Docente do Centro de Ciências da Saúde e do Desporto – Ufac. Coordenadora do Mestrado e Doutorado em Saúde Pública, da Universidade de São Paulo – USP/Ufac.

 

 

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