Cólica menstrual

A cólica menstrual é denominada dismenorréia, palavra derivada do grego dis = difícil; menes = mesntruação; reo = refluxo. Estudiosos da área consideram normal o aparecimento de cólicas de intensidade leve, com duração de um a dois dias, no início ou pouco antes da menstruação.
Ainda no entender desses estudiosos, a cólica menstrual afeta em torno das 50% das mulheres que menstruam, e em 10% são incapacitantes por até 3 dias. Estima-se que entre 10-15% das mulheres experimenta dor e cólica menstrual forte o suficiente para atrapalhar as funções normais diárias na escola, trabalho e em casa.

CAUSAS
Uma das principais causas da cólica menstrual é a presença de substâncias chamadas prostaglandinas, que são produzidas pelo útero. Especialistas indicam que quando estas aparecem em quantidade acima do normal, as prostaglandinas provocam contrações uterinas muito intensas (cólicas), semelhantes às dores do parto. Essa reação depende exclusivamente do organismo de cada mulher.

Dismenorréia refere-se à dor forte o suficiente para limitar as atividades normais, ou que requer medicação. Há dois tipos de menstruação dolorosa:
1)  Dismenorréia primária que geralmente começa até três anos após a primeira menstruação e dura de 1 a 2 dias cada mês, podendo continuar até a menopausa;

2) Dismenorréia secundária que é a dor menstrual causada por doença como doença inflamatória pélvica, endometriose (anormalidades no revestimento do útero), ou fibrose uterina (tumores não-malignos).

Algumas afecções ginecológicas tais como tumores do útero ou do ovário e infecções ginecológicas, bem como o uso do DIU (Dispositivo Intra-Uterino), que é usado para evitar a gravidez, também podem ser a causa de fortes cólicas menstruais.

SINTOMAS
Esse período que antecede a menstruação caracteriza-se por forte carga de ansiedade e pode causar impactos emocionais nas relações conjugais, familiares e profissionais. A cólica menstrual pode ter início logo após a primeira menstruação e os sintomas compreendem: dor de cabeça, enjôo, vômitos, diarréia, fadiga, nervosismo e tontura.

A cólica menstrual pode aumentar ou diminuir, permanecer constante, ou ser tão forte que causa náusea, vômito, dor nas costas, sudorese ou dor que se espalha para as coxas, quadril e região lombar.

Conforme descreve Diegoli (2010), a dor geralmente é aguda e intermitente, que pode durar um, dois, às vezes, quinze segundos ou até um minuto e passa, mas volta em seguida com toda a intensidade, ou seja, é uma dor seqüencial: dói/passa, dói/passa, volta a doer e a passar. Sem medicamento, ela perdura por algumas horas ou alguns dias.

TRATAMENTO
Para aliviar ou eliminar as dores que surgem durante a crise de cólica menstrual, geralmente são recomendados repouso, dieta leve, aplicação de bolsa de água quente no abdome e uso de analgésicos e outros medicamentos e os antiinflamatórios.

Mulheres que usam pílula anticoncepcional sofrem mais raramente de cólicas menstruais, então alguns médicos a receitam para mulheres cuja cólica menstrual persistiu a outros tratamentos. Isto porque, eles funcionam reduzindo o volume de sangue menstrual e suprimindo a ovulação, porém podem levar até 3 meses para que fiquem eficientes contra a cólica menstrual.

Os anticoncepcionais diminuem as cólicas em 70-80% das mulheres que o tomam. Contudo, quando o uso da pílula é interrompido, a mulher geralmente volta a ter o mesmo nível de cólica que tinha anteriormente.

Além do uso da pílula anticoncepcional, outras ações preventivas devem ser utilizadas, como por exemplo: a prática de atividade física, ginástica, lazer, psicoterapia de apoio, estimulação elétrica transcutânea e a acupuntura, que também são consideradas como procedimentos importantes para aliviar esse tipo de dor.

Vale acrescentar que, o acompanhamento de um médico é fundamental para que o tratamento seja bem-sucedido.

IMPORTANTE
De acordo com Diegoli (2010), as pesquisas mostram que 25% das mulheres não sentem cólicas menstruais e que 75% sentem cólicas em diferentes graus de intensidade. Desses 75%, um quarto sente dor muito forte. Entre adolescentes que menstruam pela primeira vez, pode ocorrer que ela saia de casa bem, de repente menstrua e acaba no pronto socorro por causa da dor.

Na mulher adulta, conforme os especialistas da área, o problema é diferente, uma vez que as cólicas podem ter outras causas além da atuação da prostaglandina e estão asso-ciados a uma alteração anatômica do aparelho reprodutor. Esses quadros são chamados de dismenorréia secundária e a cólica começa 15 dias, uma semana, cinco dias antes da mens-truação e piora com ela. Nessas mulheres, o fator etiológico pode continuar estimulando a produção de prostaglandina restando uma sensação dolorosa.

Já nas adolescentes, as cólicas geralmente passam quando termina o período da menstruação.

* Terezinha de Freitas Ferreira é doutora em Enfermagem pela Universidade de São Paulo – USP. Professora da Ufac. Coordenadora do Mestrado e Doutorado Interinstitucional em Saúde Pública da Universidade de São Paulo – USP/Ufac.

 

 

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