Fimose: medicamentos de aplicação local pode evitar a maioria das cirurgias

A fimose é uma enfermidade e ocorre quando é impossível retrair e puxar o prepúcio, para descobrir e mostrar a glande. A dificuldade em expor a glande ocorre quando o prepúcio possui um anel muito estreito, ou seja, a abertura do prepúcio é muito pequena para que se possa expor a glande.
Segundo os autores consultados o fenômeno atinge em torno de 50% dos recém-nascidos do sexo masculino.

SINTOMAS
A fimose pode causar: dificuldade para urinar, levando à infecção de urina; dor durante a relação sexual; dificuldade para a limpeza completa do pênis, ocorrendo o acúmulo de secreções; parafimose (condição na qual o prepúcio, uma vez retraído sobre a glande, não pode ser colocado na sua posição normal, levando ao inchaço e dor).
A criança também pode apresentar aderência da pele na glande do pênis e que se desfaz na maioria dos casos até os 3 anos de idade (fimose fisiológica).

TRATAMENTO
Os objetivos do tratamento são: a) Permitir a higiene adequada do pênis; b) Permitir no futuro um relacionamento sexual satisfatório; c) Evitar ou corrigir a parafimose (quando o orifício de abertura do prepúcio, por ser muito estreito, fica preso logo abaixo da glande, com dor, inchaço imediato e dificuldade de urinar; d) Diminuir o risco de balano-postites (infecções do prepúcio e glande), infecções urinárias, doenças vené-reas e do câncer no pênis; e) Diminuir o risco de câncer de colo de útero na sua futura esposa. Quanto ao tratamento, este pode ser cirúrgico ou medicamentoso.

TRATAMENTO CIRÚRGICO
No adulto, a circuncisão (cirurgia para remover o prepúcio) é feita sob anestesia local. O anestésico é injetado na base do pênis, sob a pele. A cirurgia dura cerca de 30 minutos e consiste em remover a porção prepucial aderida à glande ou estreitada, ou o excesso de prepúcio, quando indicado.
Para reparar a ferida, são necessários em média, 10 a 20 pontos cirúrgicos. Após o curativo o paciente pode ter alta.
A dor pós-operatória é moderada e pode ser controlada por analgésicos. É comum a ocorrência de inchaço e hematomas penianos que cedem em alguns dias.

Repouso relativo de um a três dias é suficiente, após os quais o paciente pode dirigir automóvel ou executar trabalhos que não demandem maiores esforços físicos. Relações sexuais só após 30 dias, em média.

Os curativos são simples e não demandam cuidados maiores. Os pontos cirúrgicos são de material absorvível e não precisam ser retirados.
É comum ocorrer uma discreta diminuição da sensibilidade da glande, porém raramente há comprometimento a qualidade do ato sexual.

TRATAMENTO MEDICAMENTOSO
Por muito tempo o problema da fimose só era corrigido com a retirada do prepúcio por meio de cirurgia. Atualmente, o tratamento com medicamentos de aplicação local segundo o grupo de uropediatria da Disciplina de Urologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), já pode evitar a maioria das cirurgias (postectomias).

Um estudo realizado pelo grupo, na capital paulista, comprovou que uma pomada feita de corticóide, o valerato de betametasona, associado com a enzima hialuronidase, é eficaz no tratamento de fimose.

Inicialmente os pesquisadores testaram a droga por um mês em cerca de 80 meninos. O remédio, utilizado por três a quatro semanas, se mostrou eficaz, por isso os pesquisadores entendem que o mesmo deve ser indicado a todos os meninos, antes de se propor a cirurgia.

PREVENÇÃO
A melhor prevenção é ensinar aos pais como realizar a higiene perineal, sem fazer “massagens e exercícios”, e reconhecendo e tratando adequadamente as dermatites amoniacais (assaduras) e as postites.

Exercícios e massagens não devem ser utilizados, pois podem ocorrer microtraumatismos com dor, inflamação local e até sangramentos, e a cicatrização pode levar a um estreitamento da abertura no prepúcio.

IMPORTANTE
Se não experimentar freqüentes alterações inflamatórias ou traumáticas ligadas ao ato sexual, o paciente portador de anatomia peniana normal, não necessita submeter-se à circuncisão ou plástica do freio peniano.

Quanto ao portador de fimose, este deverá procurar seu urologista para uma avaliação, tanto por motivos higiênicos, quanto para minimizar a possibilidade de câncer do pênis e outros problemas associados ao ato sexual. O não tratamento da fimose também pode ocasionar, na idade adulta, dificuldades para o ato sexual.

Autores advertem que a pele do prepúcio não deve ser puxada, pois pode haver complicações, a exemplo das fissuras e machucados.
Vale ressaltar que somente o médico tem capacidade de decidir sobre o tratamento adequado para cada paciente.

* Terezinha de Freitas Ferreira é doutora em Enfermagem pela Universidade de São Paulo – USP. Professora do Centro de Ciências da Saúde e do Desporto da Universidade Federal do Acre – Ufac. Coordenadora do Mestrado e Doutorado Interinstitucional em Saúde Pública da Universidade de São Paulo – USP/Ufac.

 

 

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