O Presidente Responde

Lisandra Solla, 32 anos, profissional de Tecnologia da Informação de São Bernardo do Campo (SP) – A Polícia Federal está fazendo um trabalho de investigação excelente. Mas por que diminuíram o seu poder? Por que a PF não pode investigar e indiciar políticos, juízes, promotores, enfim, os peixes grandes?

Presidente Lula – Não houve diminuição do poder da Polícia Federal. Ao contrário, para garantir sua eficiência, nós aumentamos os investimentos em equipamentos, viaturas, armamentos e cursos de capacitação de R$ 235 milhões, em 2003, para R$ 367 milhões, em 2009. O quadro de servidores, que era de 9.276, em 2003, hoje chega a 14.502. Os resultados estão aí. Apenas no ano passado, os agentes realizaram 288 operações contra o narcotráfico, a corrupção, os crimes ambientais e a lavagem de dinheiro, com 2.663 prisões. Sobre as autoridades que você citou, elas têm prerrogativas previstas na Constituição e em leis específicas. A PF não está proibida de agir, apenas tem que contar com autorização judicial nestes casos. A PF é forte por atuar dentro da lei. Estamos investindo na corporação para garantir uma polícia que não persegue mas também não protege.

Luciano da Silva, 27 anos, atendente de farmácia de Jaguaré (ES) – Os brasileiros estão entre os que mais pagam  impostos no mundo. Nem por isso nossos serviços públicos são melhores. Isso afeta o crescimento e a geração de empregos. Existem medidas  destinadas a reduzir os impostos ou a melhorar os serviços públicos?

Presidente Lula – Luciano, nossa carga tributária, que foi de 34% do PIB, em 2009, não é das mais baixas, mas está longe das mais altas do mundo. Há países que prestam serviços públicos de excelência, mas cuja carga é muito mais elevada: Suécia (48%) e Dinamarca (49%). Outros países têm carga tributária baixa, mas o Estado é praticamente ausente. No Brasil é diferente. Com os impostos, nós investimos de forma inédita em programas sociais, como é o caso do Bolsa Família, que beneficia 12,4 milhões de famílias. Com os programas e o aumento real de 76% do salário mínimo desde 2003, nós fortalecemos tanto o mercado interno, que atravessamos a crise sem maiores danos. Enquanto o mundo perdeu 16 milhões de empregos em 2009, nós criamos 995 mil. E estamos investindo na melhoria dos serviços públicos. Veja o caso do INSS: com o agendamento por telefone acabamos com as filas e hoje as aposentadorias são concedidas em meia hora. Há muita coisa a fazer porque o abandono vem de décadas, mas estamos avançando na solução dos problemas.

Valney de Jesus, 25 anos, estudante de Nova Iguaçu (RJ) – Fiz o curso de soldador de estruturas, pelo Prominp
 (Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural), e queria saber se existe algum projeto para os que se formaram serem contratados. O mercado exige profissionais com dois anos de experiência, o que torna praticamente impossível conseguir uma vaga.

Presidente Lula –  O momento econômico é extremamente favorável aos profissionais da sua área. A indústria de petróleo e gás natural vem crescendo com a construção de plataformas, navios, sondas e gasodutos, o que tem aumentado as compras das empresas fornecedoras. É justamente esse o objetivo do Prominp, criado em 2003: capacitar mão-de-obra para as fornecedoras de bens e serviços para o setor de petróleo e gás. Levantamento recente mostrou que 81% dos profissionais qualificados pelo programa já estão empregados com carteira assinada. No site www.prominp.com.br, há um banco de currículos dos alunos e ex-alunos para facilitar as contratações. E a demanda tende a aumentar com a descoberta pela Petrobras dos reservatórios do pré-sal. Ao contrário do que acontecia até 2003, hoje, todas as encomendas da empresa têm que ter conteúdo mínimo nacional de 65%. A Petrobras planeja investir US$ 174 bilhões até 2013. Se uma ou outra empresa ainda faz exigência de dois anos de experiência, em pouco tempo a necessidade de mão-de-obra especializada vai falar mais alto.

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