A arenga do Cascavel com o Peruano

Nem Boró, nem Lourenço. Sansão, então, nem de longe com uma vara: as esperanças do Acre estavam nas luvas de Sucurí, um cabra apaideguado, professor de toda modalidade de porrada numa pequena academia da Baixa da Galinha. E foi lá que a Fundação Cultural amoitou-se, afinal precisava- se um macho pra encarar o peruano Spinoza!

A arrumação tomou pé quando Tião Natureza e sua equipe decidiram reacender a paixão dos acreanos pelos esportes de luta, arremedando os tempos do Professor Chile, quando o Acre chegou a ter em Lourenço o Cinto de Campeão Brasileiro, e que o José de Melo entupia de gente pra ver as inesquecíveis pelejas, quando penico tinha tampa.

Trazer um lutador de boxe a Rio Branco era um desafio, que só seria coroado do melhor êxito se tivera a cobertura de Chico Pontes pela caçula TV Rio Branco. Era imperativo envolver a academia de Delfino Júnior, o filho muquecudo da Doca, que treinava pugilistas no Tucumã. E todas as coisas conspiravam para o sucesso do evento.

Dia marcado, Delfino chegou à Fundação com a notícia.

– Seu Tião, o Sucurí sumiu faz dois dias. Acho que ele caiu nágua!

Aquilo foi como matar rabilinha, cortar e arar a organização do evento, certo de acontecer no Ginásio Coberto, com transmissão do tape já acertada, passagens do desafiante compradas… e tudo nos trinques.

– E agora, quem poderá nos salvar? atubibou-se a organização da contenda.

– Eu conheço o Amarildo, que é taxista. Ele tem pegada e pode substituir o Sucurí…

– Pois vá lá, se encambite no homem e risque aqui ainda hoje! deu-se a ordem desesperada.

Amarildo começou a treinar no mesmo dia, pra se acostumar com as luvas encarnadas, e Delfino o fez puxar ferro até engrossar o talo do pescoço.
– Se o Sucurí bateu fôfo, agora o Amarildo será o Cascavel!  dei a idéia. Irré-ré!

E o noticiário abarcou o resto, quando, então, o peruano chegou de fininho e foi hospedar- se no Hotel do Centro de Treinamento, onde o pessoal da cozinha ouviu o ultimato:

– Danem rabada-no-tucupi no peruano, e não deixem faltar todo tipo de bribôte e feijoada com murupí pra cima, pois, até o dia da luta, que eu quero ver esse peruano virado uma porca! disse um diretor da Fundação Cultural, que não quis se identificar temendo represálias.

Faltando dois dias para a luta, Spinoza foi levado pela assessoria para um cuper na Avenida Getúlio Vargas. Correu da Prontoclínica até o Juventus, aonde chegou só arquejando, com meio palmo de língua pra fora, e voltou numa padiola.

– Ele está em forma, agora a coisa vai! disseram na FDRHCD, porque as cozinheiras do Centro de Treinamento eram mais obedientes do que ajudante de missa.

– Seeeeenhoras e seeeenhoreeesss,…vai começar a luta- do- ano! 

Chegara, finalmente, o grande dia! Ia começar o pé – de – peia. (Continua na próxima semana)

 

Flash6
MINIDICIONÁRIO DE ACREANÊS

ARENGA – Briga; confusão
BORÓ, LOURENÇO, SANSÃO – Lutadores famosos no Acre antigo
APAIDEGUADO – Grande e fortão; superlativo de paidégua; avantajado
BAIXA DA GALINHA – Baixa da Colina; bairro à pérgola do Poço da Cobra, entre a Cohab do Bosque e o bairro São Francisco, Rio Branco.
TIÃO NATUREZA – Artista acreano que presidiu a antiga Fundação de Cultura do Acre
JOSÉ DE MELO – Estádio do Rio Branco Futebol Clube
QUANDO PENICO TINHA TAMPA – Antigamente
CHICO PONTES – Cronista esportivo local
TV RIO BRANCO – Emissora do SBT em Rio Branco
DELFINO JÚNIOR – Desportista que presidiu a Associação Acreana de Boxe
MOQUECUDO – Musculoso
CAIU NÁGUA – Está bebendo álcool
MATAR RABILINHA – Matar rabo e linha é cortar pepêta ou papagaio com requintes de perversidade
CORTAR E ARAR – Cortar e aparar é humilhar adversário em intrança de pepêtas com cerol
GINÁSIO COBERTO – Ginásio Álvaro Dantas, praça de esportes antiga na cidade.
TAPE – O teipe era a gravação em fita transmitida na tevê depois de determinado evento.
NOS TRINQUES – Tudo certinho.
ATUBIBOU- SE – Ficou nervoso (a)
ENCAMBITE – agarre- se de maneira a não soltar
ENGROSSAR O TALO DO PESCOÇO – Ficar autoconfiante; fortalecer-se
BATEU FÔFO – Falhou

 Flash7
Interina: Queroulaynny Pinheiro

EXCITAÇÃO – “ Quem naceu pra tatu morre cavano!”.
Xico de Brito

Na Ronda dos Nats

– Afe!
Eu nunca vi a confreira Ivete Martinello, assim, de perto, mais meu çonho é pelo meno tomar uma Mirinda numa meza do lado dela no Point do Pato. Não consigui ainda, mais vou continuar tentando neste final de cemana, quando ela vai comemorar in petí comintê ao lado de gentes mil mais um Nats, que quer dizer birtidei em françêz.

Dona Ivete é minha muza- e do Seu Silvio, claro! Graças a ela pude venser preconseitos e xegar adonde eu xeguei.

Desta titular vai os meus cinseros e antessipados Répi birtiday tiuiú!

Dona Ivete é a minha esperansa de ser asseita na Associação dos Comunistas Çociais, onde eu venho çendo persiguida pelo cenhor Luiz Tiodoro e seu D’ Albuquerque, aquele que não anda em festas, freqüenta pândegas; que não come bribôtes, saboreia acepipes,  e que iscreve naquele outro jornal lá.

Eles não botam meu retrato na coluna deles nem me chamão para nada porque eu ainda não terminei o Çétimo Períldo de Jornalismo. Mais, e eles, que trancaram o curso e fizeram carreira?
Eu só estou!

O pref. caçado de Sena Madureira, seu Nilço Areau, comemora nesta çegunda-feira mais um nats. Com êçe, ção 9 meses morando na Capitau Federal, onde vem dividindo apê com seu Vilceu Ferreira, outro que já soprou velinhas de nats desde que deichou a Prefeitura de Acrelândia.

Esta titular parabeniza o Vice- pref. De Riu Branco, Dotô Eduardo Farias pelo belo trabalho de disseminassão do mosquito da Dengue na sidade. Só nas últimas nove cemanas quase 14 mil acreanos foram alcansados pelo Aedes Aegypti, maior suçeço de programa comunista de incluzão hospital da istória. Chico perde!

Por hoje é só. Fuuuuuiiiiii!

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