A arenga entre Cascavel e o Peruano – Parte 2

– Senhoooooooraasss e seeeeeeeenhooooooressss! abarcou o apresentador.

– Vai começar o desafio do ano: Amarildo Cascavel versus o peruano Ssssssssspiiiiiinozáááá!

E a mundiça veio abaixo:

– Fiufiuuu!   Clap!Clap! Clap!

E se rasgava:

– Cascavel! Cascavel!Cascavel!

Minutos antes, um diretor da Fundação visitara os vestiários, cumprimentando o lutador visitante e sua minúscula equipe e pode testemunhar quando Delfino Júnior, treinador de Amarildo Cascavel, promotor da

grande luta de Boxe prestes a ocorrer, dirigente da Fundação e escalado para arbitrar a contenda adubava as luvas do pugilista da casa – Cascavel.

Era procedimento normal, por questões eminentemente técnicas. É claro!Fez uns enxertos de esparadrapo, pra dar mais, digamos, sustança aos golpes do representante acreano. Deus, aquilo parecia uma

marrêta!

Pois quando os lutadores fuçaram nas ventas um do outro dava pra ver o estrago causado pelas cozinheiras da Fundação Cultural desenhado no bucho do lutador peruano, aquele plexo balôfo, um lerdo de gordo.

– Fáite! ordenou o juiz, Sua Senhoria o Senhor Delfino Júnior,  nosso homem lá.

Pense num peruano arisco!

Spinoza caiu dentro, esbofeteando Cascavel, botando mais curto do que pescoço de pacu.  Soltava fogo pela venta, direita, esquerda; jébis, cruzados…em cima, embaixo….dando as parença dum Fenemê sem freio na Ladeira da Maternidade.

Num cêpo jogou Cascavel às cordas, mas – prontamente – o juiz interrompeu o combate, afinal, aquele râundi, por, provavelmente (Tsk!),  ser o primeiro da luta,obrigatoriamente, ser o mais curto,  mesmo.

Cascavel abriu umas butucas de olho, areadinho, e parecia não saber exatamente que dia era aquele. Mas, pelo tempo regulamentar, uns dois minutos, depois já balbuciava claramente  o nome da mãe dele, e até lembrava ser taxista; então o juiz o liberou para voltar ao centro do tablado.

– Fáite!  deu ordem, de novo.

– Quem for mais macho, cuspaqui! E o pau chinchou de novo.

O peruano, já babando puro rabada, mudou de estratégia, e começou a arrudiar e ciscar ao redor de Cascavel, que desferia-lhe um, dois, sem, porém, lograr êxito.

Assim foi o Segundo Round, para alegria da platéia!

– Lutem!  deu sinal o juiz. Era o terceiro assalto.

Spinoza , mode um filho de jacu com cobra, doido pra pisar no rabo de Cascavel, maldosamente achando que alguém ali – Tsk! – houvesse armado para ele uma arataca, uma marmelada, encastuou- se ao seu oponente, golpeando-lhe onde pegasse.

De repente, Amarildo Cascavel deu- lhe um catiripapo:

– Poft!

O peruano deu um passo atrás, o árbitro abufelou-se com ele, segurou-lhe pelas duas luvas e perguntou, preocupado:

– Em vereda de paca tatu caminha dentro?

– Non comprendo, Señor! balbuciou o peruano.

Soltando-lhe as duas mãos e fazendo “X”, Delfino correu pro outro corner, pegou a mão direita de Amarildo Cascavel, decretando a vitória inquestionável e a superioridade absoluta do nosso lutador, sob delirante aplauso da entojada platéia.

Daquele dia pra cá nunca mais se ouviu falar nem de Spinoza nem de Amarildo Cascavel, protagonistas da mais limpa e desportiva contenda do Boxe acreano desde os tempos da pitisqueira.

MINIDICIONÁRIO DE ACREANÊS

MUNDIÇA – Raça; galera
ADUBAVA – Ajeitava
SUSTANÇA – Sustentação; fortalecer
LERDO – Enorme
CÊPO – Murro
PARENÇA – Semelhança física
FENEMÊ – Caminhão antigo
LADEIRA DA MATERNIDADE – Ladeira entre o Bosque e o Centro de Rio Branco (Moradores do Bosque ainda dizem: – Vou lá embaixo!”quando vão ao Centro).
AREADINHO – Tonto
CUSPAQUI – Cuspa aqui
ABUFELOU-SE – Agarrou- se frontalmente
PAU CHINCHOU – Começou a briga
PURO RABADA – Com sabor de rabada- no- tucupi
ARRUDIAR – Andar em volta; fazer rodeios
ARATACA – Armadilha; arapuca
ENCASTUOU-SE – Colou-se; juntou- se
CATIRIPAPO – Porrada
ENTOJADA – Com tipo de enjôo que só dá em acreanos; com entôjo
TEMPOS DA PITISQUEIRA – Faz muito tempo

 

Planeta7
Acadêmica do cétimo períldo de Jornalismo

CITASSÃO – “Mulher feia é uma marmota. E velha, num tem quem quêra!”.

JAKA PINHEIRO

 

VIAJENZ E EMOSSÕES

Afe, gentes, o Kalunismo Çociau é minha laife, sabia?
Poiz num é que eu istive bem pertinho da Dona Ivete, minha ídola, confreira e muza ( E do Seu Silvio, claru!), lá no Point do Pato?? Pena que ela já tinha çaído…
Eu sube que o aniveçáril dela foi o nats maiz o ó desse mêz. Foi o nats de uma leide, que quer dizer niver, em inglez.
Até o fofo do xarjista Dim aparesseu entre as divas da alta soçaiti mortas de xicozas que fôrão lá.
Desde que eu vim de Camutama pra cá, iscrever neste matutinho mi tornou uma peçôa maiz feliz. Tudo grassas aa Dona Ivete, que me deu eça oportunidade. Cem contar o Seu Silvio, que  mi introduziu na redassão.
O peçoal falam até umas coizas, mais eu to é preu!
– Gentes mil fôrão á Federassão das Indústrias do Acre ouvir a palestra do Dr José Diçeu. Estivérão presentes tambéim aquele gatinho do Jorje Viana e aquele emprezáriu, aquele, que tem nome de peixe…o Salomão.
Seu Diçeu falou sobre economia, incluzive ençinando como os acreanos podem ganhar dinheiro maiz rápidu.
Ele sábi! (1)

– Poderooooooooooooza!
A dep. fed. Perpétualmeida arrazou em viajem ressente ao Tecêsso Mundo, onde foi conhecer a Antártica.
Sempre eleganti e em seu sobretudo de by Fhormigon, ela até bateu uma chapa, supreza com o  jêlo, maiz a aceçoria dela num esplicou porque a dep. fed de Porto Walter num prestigia a cevêja do Acre.
Pura inveja!
– Quem está de mala e cuia pra também conhecer o esterior é o pres. Da Açembléia, dep. est. Edvaldo Magalhães.
Vai ao Ceará, ver a Ypioca. Arre!(2)

– A imprença mostrou até retrato: o veri. E cand. A gov. Rodrigu Pinto  pegou a catraia rumo ao Velho Cotinente, acompanhando a dep. est. Antonio Sales. Foi conhecer o Acre, com inveja do ex- dep. fed. Márciu Bitá, que feiz a merma coiza na semana paçada.
Nofa!!(3)

– Furo da Kalúnia: a Cemana Çanta começa quinta-fera que veim!

Esta titular vai fazê tambéim uma grande viajem. Vai paçar a Páscua em Lábrea.

É como eu sempre digu: quem naçeu pra tatu morre cavano.
– Fuuuuuiiiiii!

Planeta8

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