Mudança em logística pega produtores rurais de surpresa

As alterações ocorridas nas últimas semanas no sistema de descarga dos hortifrutigranjeiros que diariamente chegam a Rio Branco por via fluvial têm confundido e também irritado alguns produtores. Desde que a Central de Abastecimento da Capital (Ceasa) entrou em atividade, o desembarque de frutas, legumes, verdura e pescado foi proibido no porto próximo ao Mercado Elias Mansour.

A grande maioria dos produtores rurais mora em localidades cuja viagem pode durar até uma semana, numa peregrinação de subir e descer os rios da região. Quando chegam à cidade, são pegos de surpresa por não saberem as mudanças. Raimundo Sales, 69, é um exemplo. Morador da comunidade Belo Horizonte, às margens do Riozinho do Rola, ele trouxe sua produção de farinha para ser comercializada. A viagem dura quatro dias. 

Ao atracar no porto central, logo percebeu algo diferente. O Flutuante, a tradicional mercearia sob as águas que ficava às margens do Rio Acre, não estava lá. “Aqui era bem melhor, pois eu descarregava meus produtos, comprava as coisas para casa e voltava”, diz. Outra reclamação dos produtores e de quem realiza o transporte dos alimentos é quanto às faltas de condições do novo porto, no bairro Cadeia Velha.

Manuel Messias há quatro anos sobe e desce o Rio Acre para transportar em seu batelão a produção das comunidades ribeirinhas. No último final de semana ele precisou descarregar os cachos de banana da fazenda São Francisco do Iracema. Ao tentar atracar a embarcação na Cadeia Velha, colidiu com as ferragens de uma balsa submersa. “Meu barco tem só seis meses e hoje amanheceu com água no interior”, lamenta ele.

Outra categoria de trabalhadores afetados com a mudança são os carregadores. José Miranda há seis anos trabalhava ajudando a tirar os produtos dos barcos e levá-los até a área onde eram comercializados. “Todo dia ganhava de R$ 20 a R$ 30. Agora já tem quase uma semana que não ganho nada. Aqui era minha fonte de renda”, afirma, desconsolado, Miranda.

Pescador, José Alves reclama que agora precisa pagar frete para levar seu pescado até o mercado para ser vendido. “É um dinheiro que já faz falta para minha renda”. Ele chega a ficar até um mês em viagens pelos rios Acre e Purus em busca dos melhores peixes. De acordo com a prefeitura, as alterações fazem parte da reformulação do sistema de compra e venda dos hortifrutigranjeiros, que agora está todo organizado a partir da Ceasa.

Quanto ao novo local de desembarque da produção, a prefeitura diz que obras de melhoria estão sendo realizadas para facilitar a descarga e carga. Ao desembarcar, todos os alimentos vindos da zona rural são colocados em um caminhão da Secretaria de Agricultura e levados até a Central de Abastecimento.    

 

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