Respeito a dor de uma mãe!

Os trágicos poetas gregos se sentiriam humilhados diante a mente fértil – e por que não dizer macabra – de alguns acreanos. Desde que a imprensa noticiou o suposto rapto do garoto Fabrício Souza da Costa, 16 anos, mais de 50 versões para o caso já foram formulados pela opinião pública.

A mais cruel de todas circulou neste final de semana. O corpo do adolescente teria sido encontrado sem os órgãos. A versão se espalhou rapidamente. Na feira, no supermercado, na padaria, no salão de beleza, no restaurante, no barzinho, na igreja, enfim, nos quatro cantos da cidade.

Na platéia, homens e mulheres que não tem o mínimo respeito por nada chegam a dar detalhes de como o corpo teria sido encontrado. Outros, ainda mais afoitos, desafiam a qualquer um que desmentir a notícia.

Quanta crueldade! Respeitem a dor de uma mãe!

O desaparecimento desse garoto realmente é um fato. Isso ninguém pode negar. O boletim de ocorrência feito pela família comprova isso. Mas isso não autoriza que as pessoas fiquem, na base da suposição, criando desfechos para o caso. E o que é mais grave: na base do quanto pior melhor.

Pergunto: quantas pessoas já se preocuparam em fazer uma visita à mãe de Fabrício e oferecer algum tipo de conforto, seja um abraço, palavras de conforto, ou até mesmo apoio logístico para ajudar na busca? Quantas vigílias de oração já foram realizadas? Onde estão os defensores dos Direitos Humanos, os líderes religiosos nessas horas?

Só mesmo quem já passou por situação parecida sabe mensurar a dor de uma mãe que perdeu ou tem um filho desaparecido. A situação é preocupante e exige a solidariedade de todos.

É claro que devemos ficar em alerta, mas não podemos esquecer que por trás de uma ocorrência sempre existe uma família que chora e se agarra a qualquer notícia que apareça. Imaginem só como se sente a mãe de Fabrício todas as vezes que uma pista falta é dada à polícia.

*Dulcinéia Azevedo é jornalista e escreve às terças-feiras nesta coluna. E-mail: [email protected]

 

 

 

 

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