A vida é eterna!

Demorei para escrever sobre o terremoto que ocorreu no Haiti para não parecer oportunista. Mas a tragédia na ilha caribenha teve um fato que me tocou profundamente, a morte da Doutora Zilda Arns. Quando assisti na TV o relato da maneira como ela morreu durante uma palestra numa igreja em Porto Príncipe me vieram lembranças da pouca, mas intensa convivência, que tive com a criadora da Pastoral da Criança, no Juruá. Ajudei a organizar a sua visita a Cruzeiro do Sul , em 2008, por ter uma relação de colaborador com a Pastoral. Presenciei durante quase uma semana a maneira como a Doutora Zilda trabalhava para ajudar as parturientes e as crianças.

A minha amizade com a freira alemã Irmã Inês, que coordena a Pastoral da Criança no Juruá, abriu portas para a minha compreensão sobre a verdadeira caridade. Um trabalho social conseqüente que ajuda as mulheres desfavorecidas através do conhecimento. A Pastoral da Criança trabalha sem paternalismo. É através do esclarecimento que a Pastoral garante o florescer da vida. As mulheres são ins-tigadas a trabalharem para garantirem a qualidade de vida da sua família.

Por isso, quando a Irmã Inês me pediu para ajudar na organização da visita de Zilda Arns me senti honrado em poder colaborar. Muitos empresários de Cruzeiro do Sul ajudaram para que mais de 500 colaboradores da Pastoral da Criança dos recantos mais isolados do Juruá pudessem compartilhar da presença diáfana de Zilda Arns. Foi um momento luminoso e inspirador para a região. Durante as reuniões e palestras as palavras da médica flutuavam no ar e hipnotizavam quem as ouvisse numa sinfonia de entusiasmo para a prática do bem.

Aliás, Zilda Arns, morreu fazendo aquilo para o quê dedicou a sua vida. A cena da tragédia de Porto Príncipe que a levou era a mesma da Catedral de Nossa Senhora da Glória, em Cruzeiro do Sul. Assim como deve ter sido a mesma em diversos outros templos espalhados pelo Brasil e o mundo onde houvesse mães carentes de apoio e informações para criar os seus filhos.

Zilda Arns levantou e empunhou a bandeira da vida. Por isso, não acreditei na sua morte em Porto Príncipe. Com a minha convicção espiritual acredito que mesmo na hora de deixar o seu corpo Zilda teve mais uma missão a cumprir. Num plano mais elevado ela conduziu e confortou milhares de almas que desencarnaram durante o terremoto sem ter a consciência do que estava acontecendo. Deus na sua infinita misericórdia escolheu a nossa Zilda para mais um ato de caridade na sua iluminada trajetória pelo Planeta Terra. O amor e o serviço desinteressado aos seus próximos garantem um lugar na eternidade para Zilda Arns, que nunca morreu…

* Nelson Liano é jornalista
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