Além das fronteiras

De Budapest – Hungria – Parece que o comunismo tradicional está realmente morto e enterrado nos antigos países da Cortina de Ferro. Estive na Eslováquia e, agora, na Hungria e o capitalismo multinacional tomou conta de vez desses países que eram a base do poder político e estratégico militar na Europa da antiga União Soviética. Restaram apenas lembranças que os húngaros chamam de “fantasmas do comunismo”. Eles se integraram à União Européia e são mais um país sem fronteiras do Velho Continente.

Em Budapest, só sobrou uma praça, próximo do Palácio do Parlamento Húngaro, com um monumento aos comunistas soviéticos que morreram durante a libertação do país. As estrelas vermelhas que dominavam as colinas da cidade que a gente via nas fotos antigas deram lugar para outdoors do Mac Donald, Adidas, Heikner, Coca-Cola, entre outras marcas multinacionais. A globalização venceu. Mas por outro lado, é comum se ver pessoas pedindo esmolas pelas ruas de Budapest. Claro que existem milhares de ciganos e imigrantes dos países da antiga Iugoslávia que sofreram com as guerras civis e perambulam sem pátria pe-la Europa.

O fato é que quando a balança pende muito forte para um lado só quem acaba pagando as contas são os mais pobres. Num sistema capitalista fortalecido a regra é ter dinheiro. Quem não tem está excluído. É preciso encontrar um regime político que esteja além da direita ou da esquerda, do capitalismo e do comunismo. Um regime que coloque o ser humano e a solidariedade em primeiro plano. A Europa vive sem fronteiras. Aparentemente tudo é uma coisa só. Mas na realidade a gente sabe que não é. Muita prosperidade para alguns, mas também muita miséria para outros.

Pelas ruas das principais cidades européias a gente vê muitos jovens se drogando sem a menor perspectiva de futuro e garotas se prostituindo. Aliás, é ilusão achar que nos países ditos de primeiro mundo não existem problemas sociais. Eles existem e em alguns aspectos são até mais sérios do que os nossos.

É preciso mais que abrir as fronteiras geográficas para termos um mundo melhor e mais justo. A questão é interior de cada ser humano. Cada um se julga um país pessoal ainda pedindo passaporte para acessar o seu interior. Enquanto não se abrirem as fronteiras internas de cada ser humano permitindo o acesso ao amor, a verdade e a compaixão continuaremos a viver num mundo com bilhões de fronteiras sujeito a guerras e a muito sofrimento.

 

 

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