O Brasil mudou

Em quatro dias estive em três países. Suécia, Eslováquia e Áustria. Pude conversar com vários brasileiros que imigraram para a Europa, nos três lugares, sem falar de outros que moram em outros países da Europa e estavam em trânsito. Todos são unânimes em afirmar que o Brasil mudou. Mesmo alguns que estão muitos anos sem voltar à terra natal fazem a mesma afirmação. A motivação principal é a mudança de imagem no exterior que a política externa do presidente Lula (PT) conseguiu, apesar de algumas gafes aqui e acolá.

Eu já estive várias vezes na Europa. Com o passaporte brasileiro a gente enfrentava muitas dificuldades nas fronteiras dos países considerados de “primeiro mundo”. A preocupação com a imigração ilegal de brasileiros era grande. Até isso está mais tranqüilo porque com o aquecimento do mercado interno do Brasil muito mais pes-soas podem viajar para o exterior. Logo, como para a maioria dos países europeus o turismo é uma atividade econômica importante, a visita dos brasileiros se tornou atrativa. Então, para quê criar dificuldades?

Outro fator importante é a valorização do real frente ao dólar e ao euro. Na realidade os preços europeus são realmente bem mais altos que no Brasil. Mas não chegam a ser proibitivos como acontecia há alguns anos. Uma família de classe média que tiver feito economia poderá via-jar de férias à Europa sem muitos problemas. Algo que era considerado impossível anteriormente.

Finalmente, existe atualmente aqui na Europa, um interesse muito grande pelas coisas do Brasil. Antigamente essa curiosidade se expressava apenas em relação aos aspectos folclóricos ou exóticos da nossa cultura como o samba, o futebol, as mulatas, etc. As coisas não são mais assim. Estive acompanhando um grupo de intelectuais brasileiros numa visita à Academia Sueca de Ciências, que é a Fundação responsável por escolher os cientistas premia-dos pelo Prêmio Nobel.

Quando fui apresentado ao diretor de assuntos internacionais da Academia como sendo um jornalista que habita a Amazônia imediatamente ele me pediu que falasse um pouco. Comentei sobre a questão da sustentabilidade, a história social mais recente do Acre e as mudanças de filosofia em relação à preservação ambiental que quer colocar os moradores da floresta em primeiro lugar. Também destaquei a questão da importância do consumo dos europeus de produtos realmente sustentáveis produzidos pelos povos da Floresta.

No final os próprios brasileiros do Centro-Sul estavam curiosos a respeito da Amazônia e, principalmente, do Acre. Isso significa que temos um potencial muito maior no exterior do que imaginamos. É só melhorar a questão energética no Estado e colocar o povo para produzir que o retorno é certo.

* Nelson Liano é jornalista
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