Profissionalização da política

Como qualquer atividade humana, a política também está passando por evoluções. Temos sinais claros do fortalecimento da democracia brasileira. Por muitos anos vivemos com o fantasma da ditadura nos rondando. Se acontecer isso ou aquilo os militares voltarão ao poder. Já tivemos até a queda do ex-presidente Collor (PTB) e a jovem democracia sobreviveu. Ministros importantes caíram e, agora, a bola da vez é o governador de Brasília, José Arruda (ex-DEM), que deverá renunciar ou ser cassado nos próximos dias. E ninguém se preocupa mais com a instabilidade democrática e a volta dos militares.

Portanto, o sistema político está amadurecendo. Mas está na hora daqueles que exercem a atividade política de entenderem as mudanças e profissionalizarem mais as suas estruturas operacionais. No Acre, quase sempre deputados ocupam a tribuna da Aleac para desqualificarem a imprensa e os jornalistas do Estado. O argumento principal é que toda a mídia está dominada pelos recursos publicitários dos governos. Por isso, negam espaço para os oposicionistas que tecem críticas ao governo estadual, à prefeitura ou mesmo ao Governo Federal.

Vale lembrar que verbas publicitárias governamentais sempre existiram em todas as gestões seja no Acre ou em qualquer lugar do Brasil. Agora, a questão de espaço depende da postura editorial de cada um dos meios de comunicação. Existem aqueles que por conta de dinheiro de publicitário adquirem uma postura subserviente. Mas não se pode generalizar. Na GAZETA tenho feito a cobertura política e até hoje nunca um texto meu foi censurado. Quem lê a página três do jornal encontra dia-riamente tanto as opiniões dos governistas quanto dos oposicionistas.

Abrimos espaço para o debate político que fortalece a vida democrática do Estado. Mas é preciso bom senso. Não vou publicar bravatas políticas ofensivas porque um determinado parlamentar, seja lá de que partido for, deseja atacar o Governo sem nenhuma argumentação convincente. Isso é politiquice e politicagem. Também não podemos adivinhar as atividades de um partido que não se comunica com a mídia.

É preciso profissionalizar aqueles que atuam na política para utilizarem as ferramentas de comunicação que existem. Contratar profissionais es-pecializados nas diferentes áreas complementares com a atividade política para enriquecer o debate e se aproximar da população. Mas com propostas e argumentos verdadeiros. Nesse caso, pelo menos na GAZETA, sempre haverá espaço para todos. Mas quem quiser utilizar a política como uma arma para agredir e achincalhar a vida dos outros que procure uma rinha de galos ou um ringue de boxe.          

* Nelson Liano é jornalista
[email protected]     

Assuntos desta notícia

Join the Conversation