Hora da verdade

A proposta apresentada na primeira reunião entre Governo do Estado, Federação de Futebol do Acre e os “clubes profissionais”, resultou numa fórmula que promete tirar da mesmice o Campeonato Estadual Acreano. Se por um lado os clubes tentarão, a qualquer custo, ficar nas quatro primeiras colocações, ou as duas primeiras, os chamados “pequenos” já começam a sentir as mudanças de ares.

Vamos primeiro falar positivamente. É verdade que se não houvesse uma mudança na premiação, valorizando o campeão, o Estadual estaria fadado a mais uma temporada enfadonha, sem grandes atrativos, sem tempero, sem quedas, com alguns jogos apenas para a crônica esportiva assistir. Qual a motivação que existiria? Quem iria brigar pelas primeiras posições? Eu respondo, apenas os chamados “grandes”.

Durante o debate promovido pela apresentadora Eliane Sinhasique, durante o quadro “Boca no Microfone”, com a presença do presidente da Acea, Leônidas Badaró, da repórter Rose Lima, além da minha, é claro, discutiu-se muito sobre a condição financeira dos clubes e o motivo pelo qual – talvez – estejam nela. Os clubes que realmente pensam em disputar o título acrea-no precisam se es-truturar não apenas na véspera do Estadual, mas bem antes, criando marke-tings que atraiam investidores, tragam recursos para os clubes.

Quando se construía as galerias do estádio José de Melo houveram, claro, críticas. Porém essas galerias acabaram resultando em verba para auxiliar o Rio Branco nos períodos de competições. O mesmo ocorreu quando as salas no Atlético Acreano começaram a serem construídas, bem verdade que alguns que construíram pensavam que nunca teriam que pagar aluguel. A verdade é que quem a diretoria fez questão de se es-truturar, hoje colhe os frutos.

Neste patamar não pode ser incluído o Andirá, clube que por várias vezes – bem ou mal – representou o Estado quando nenhum clube grande se arriscou a participar de uma competição válida, como era a série C. Um dia esses feitos serão reconhecidos, porém a verdade que agora o Morcego é um clube sem renda, sem sede e sem campo para treinar. Seus dias, neste novo formato que se propõe o acreano, não tem mais espaço para clubes pequenos. Isso será refletido na edição de 2011.

A grande aposta que se faz são nos clubes do interior, com apoio de suas prefeituras, o que infelizmente não acontece na Capital. Cada município tentará aparecer para o restante do Estado com seu clube, como o Acre tenta aparecer para o restante do Brasil, com o Rio Branco, caso consiga subir para a série B. Se conseguiram repetir o feito da Adesg, em 2006, campeão Estadual, isso só o tempo dirá.

Ramiro Marcelo é jornalista.
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