Os “João’s ninguém’s”

Uma pequena repercussão na televisão sobre o desaparecimento de duas crianças e logo se transforma em paranóia – afinal filhos são nossos tesouros mais importantes – , gerando cuidados extremos para evitar que os nossos sejam os próximos.

Mas o que tem de tão diferente esses casos? O que tem de diferente ou semelhante daquela menina desaparecida da porta de casa há três meses? Vou tentar responder: “eles não são filhos, parentes ou conhecidos de alguém importante, um empresário, um político ou parente de alguma autoridade”.

Sei bem que, apesar de tão propalada eficiência dos meios de segurança, existe pouca estrutura para o combate da violência. O que para mim deveria ser combatido ainda na sala de aula, acompanhada pela família, mas motivos “desconhecidos” (quem sabe em um novo artigo) impedem essa eficácia.

Já fui uma das pessoas que chegou a uma delegacia para fazer uma denúncia sobre assalto e praticamente quiseram que eu desse o endereço do ladrão, CPF e teste sangüíneo. Apesar dos muitos amigos que tenho na polícia, digo de passagem, pessoas honestas e que tentam cumprir com zelo suas obrigações, perdi totalmente a confiança em sua eficácia.

Acredito ser uma pessoa razoavelmente informada, tento me inteirar dos meus direitos, mesmo assim acabei esbarrando na minha falta de “autoridade” (quando alguém não importante vai atrás da Justiça) quando precisei de ajuda. Imagine trabalhadores sem grau de instrução, sem os “parentes certos” tentarem ajuda?

Muitos irão afirmar que busco a utopia. Só posso responder que SIM. Digo apenas que aqueles que tem medo de dormir nunca irão conhecer seus sonhos. Um dia teremos o Brasil que seu povo merece, com chance de trabalho para todos, educação de qualidade, saúde para quem precise, entre outros pequenos sonhos. E, quem sabe, uma polícia que consiga desvendar um dos cinco assaltos que tive nos primeiros anos na minha residência, se não der, pelo menos evite que novos pais ou mães chorem – por muito ou pouco tempo – o desaparecimento de seus filhos.

Ramiro Marcelo é jornalista.
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