Superando seus limites

Tive a satisfação de fazer uma matéria para um grupo de atletas especiais. Por que a satisfação? Porque as pessoas consideradas “normais”, normalmente reclamam demais de tanta futilidade, esquecendo as pequenas coisas que dão prazer na vida de um ser humano, como correr, subir em uma árvore, até mesmo dirigir um carro, entre tantas outras.

O grupo em especial foi da seleção acreana de basquetebol. São 14 atletas que treinam três vezes por semana em um horário que os outros atletas até reclamariam – das 10h às 12h -, mas para eles é o momento de maior alegria durante o dia, mesmo para quem ainda está iniciando nesta modalidade.

Conversar com qualquer atleta, falar sobre como é o dia-a-dia, é tirar várias lições de vida, muitas vezes superar dificuldade que vai além da própria limitação física. O simples entrar em um ônibus, percorrer as calçadas, apesar do que vem sendo feito pelas últimas prefeituras permitindo a subida e descida de cadeiras de rodas, infelizmente muitas, e digo, muitas ruas não tem nem mesmo a calçada para pedestres.

No dia da entrevista, a seleção estava se preparando para embarcar para uma competição fora do Estado. A manhã na Capital, como muitas outras manhãs neste período invernoso, foi “temperada” com uma chuva insistente. Parentes dos atletas que tinham algum carro se desdobravam para buscar os faltosos, muitos devido a chuva.

Objetivos, como todo atleta, são sempre grandes. A vontade de vencer, a busca pelo reconhecimento, estes são sempre o combustível para embalar esse time que vem “montada” em cima de duas rodas. Os treinos, segundo quem acompanha diariamente, é sempre cheio de alegria, muita disputa e discussões – que felizmente não saem da quadra -, pois ali esses atletas encontraram uma segunda família. Neste espaço, entre quatro linhas, todos são iguais, o respeito existe, o preconceito nem banco fica, pois tudo o que importa, para eles, é o esporte.

“Tenho o sonho de vencer, de ganhar um Brasileiro, de voltar ao Acre com uma medalha no peito”, afirma Cláudio, o armador, sempre alegre e sobrando energia como um garoto de apenas sete anos que acabou de ganhar a primeira bola de futebol. Assim são esses atletas do dia a dia, dentro e fora das quadras.

Ramiro Marcelo é jornalista.
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