Logística reversa

Dentre tantas alternativas de preservação do meio ambiente, uma vem sendo aos poucos abordada. A terminologia é pomposa. Logística reversa é bonita, é o assunto da vez, é a menina dos olhos dos ecologistas e ambientalistas.

Num país onde as prefeituras não são obrigadas a recolher/reciclar todo e qualquer lixo, cabe aos fabricantes, principalmente de produtos eletro/eletrônicos, a responsabilidade pelo retorno do produto à empresa, ou para reciclagem ou para o descarte.

Quem me garante que as pilhas recolhidas nos supermercados voltam de fato para a fábrica de origem? Quem paga por esse transporte de retorno? As pilhas custam caro porque o preço dessa logística já está embutido no produto?

A logística reversa existe no papel, no planejamento estratégico logístico das grandes empresas, mas eu nunca vi saindo de Rio Branco um caminhão carregado de geladeiras velhas, microondas, computadores, aparelhos de rádio e televisores. E vejo tudo isso sim! Às margens das estradas, nas beiras de igarapés e do Rio Acre.

A logística re-versa está relacionada com a desti-nação de produtos e materiais, já descartados pelo consumidor final, para contribuir com a preservação do meio ambiente. Essa contribuição se dá pelo retorno de bens do pós-consumo ao ciclo produtivo, o que diminui o acúmulo de lixo industrial na natureza. Dessa forma podemos relacionar a logística reversa como uma importante ferramenta para a preservação ambiental.

A logística reversível, reversa ou verde, é a área da logística que trata, genericamente, do fluxo físico de produtos, embalagens ou outros mate-riais, desde o ponto de consumo até ao local de origem.

E daí?

Isso já acontece com os fabricantes de pneus, de garrafas retornáveis de vidro, com as latinhas de alumínio, com as garrafas pet, com os botijões de gás. Mas muito ainda há que se fazer.

A quantidade de vidro descartada em Rio Branco é muito grande. As milhares de garrafinhas long neck das bebidas ainda são jogadas no lixo comum sem possibilidade de reciclagem e a logística reversa para o lixo eletrônico não existe em nosso Estado.

A Utre, Unidade de Tratamento de Resíduos Sólidos, da Capital acreana não recebe esse tipo de lixo e nem o encaminha para os poucos aterros industriais existentes no Brasil.

Já é hora de alguém tomar a iniciativa de fazer essa logística reversa sob pena de sermos soterrados por carcaças e monitores que por aqui não podem ser reaproveitados.

Ou se faz isso ou se diz adeus aos bens de consumo, que tanto poluem e facilitam a vida dos acreanos, para fazermos a viagem de volta aos tempos da caverna aonde o homem respeitava a natureza quando não conhecia a roda.

Eliane Sinhasique é jornalista, radia-lista e publicitária
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