Os verdadeiros amigos

Existe uma frase atribuída a Confúcio que diz: “Para conhecermos os amigos é necessário passar pelo sucesso e pela desgraça. No sucesso, verificamos a quantidade e, na desgraça, a qualidade”.

Até mesmo numa situação ruim, de acordo com o pensamento Pollyanna, é possível tirar alguma coisa boa. Uma coisa boa pode ser a constatação da qualidade dos amigos que você tem.

Vivi, recentemente, uma situação terrível. Fui hospitalizada duas vezes numa mesma semana. Estava me sentindo muito fraca. Normalmente, em situações como essa, eu contava com a minha fiel escudeira, minha irmã, Daniela. Para meu desespero, Dany está em São Paulo, há mais de mês, cuidando do marido que precisa de um transplante de fígado.

Quem poderia me salvar? Quem poderia me fazer companhia no leito do hospital? Quem iria buscar ou deixar meus filhos na escola? Quem faria o supermercado? Quem iria dirigir pra mim? Quem? Quem? Meus verdadeiros amigos! Não contei conversa. Liguei para algumas pessoas que julgo serem meus amigos e contei a situação.

Não fiquei esperando que eles adivinhassem que eu não estava bem. Se eu quero ajuda, é preciso que eu peça ajuda. E a gente pede ajuda para quem a gente acredita ser possível colaborar.

Um verdadeiro amigo é aquele que, mesmo com uma agenda lotada, tira alguns minutos para te fazer companhia. Um verdadeiro amigo não é somente aquele que vive grudado em você.

Minha amiga Nilda Marques largou marido e filha para ir fazer minha feira no supermercado, para me levar ao hospital, para comprar meu lanche. Minha amiga Íris Tavares foi me dar um banho e colocou seu motorista Raimundo à minha disposição. Minha amiga Íris Pastor disponibilizou seu secretário para fazer os serviços de banco e preparou a carne mais suculenta para me alimentar e fortalecer, além de largar todos os afazeres para passar noites comigo no hospital.

Martha Maria segurou na minha mão, enquanto a agulha entrava na minha veia. Ivete furou o bloqueio noturno da portaria do hospital para me levar água, biscoitos, frutas e sucos. Rose e Cleide foram buscar minhas roupas em casa e meus filhos na escola.

Perpétua, Francelina, Beth, Janete, Keury, Jesus, Carol, Lucas, Nelsinho e Jakson se desocuparam, rapidamente, de seus afazeres para irem me contar piadas, me fazer rir, para que meu sistema imunológico reagisse.

Muitos não foram me ver, mas pegaram um telefone e me ligaram para dizer que estariam comigo para o que desse e viesse.
Ficar doente não é bom. Não é agradável.  Dá medo e insegurança. Mas ficar doente me mostrou com quem de fato eu posso contar fora das mesas dos botecos da vida.

Eliane Sinhasique é radialista, jornalista e publicitária
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