Sexo: um aspecto que deve ser cuidado como qualquer outro item da nossa saúde

Sabe-se que quando o assunto é sexualidade é quase inevitável o pensamento em mitos e tabus a cerca deste assunto. Mito segundo o dicionário Aurélio significa “uma idéia falsa sem correspondente na realidade” e Tabu no entender de Chauí é aquilo de que não se fala, isto é, aquilo que é dado por garantido ou então que é difícil demais de falar.

Contudo, o sexo faz parte da vida e da saúde do ser humano, sendo um aspecto que deve ser cuidado como qualquer outro item da nossa saúde. Diante disso, alguns pontos como, virgindade, masturbação, sexo seguro e sexo na gravidez serão esclarecidos.

VIRGINDADE – Ser virgem é quando uma pessoa ainda não teve relacionamento sexual. Mas, com algumas mulheres, a virgindade nem sempre é perdida na primeira relação sexual, já que é possível engravidar na primeira relação sexual, ou engravidar ainda virgem. Além disso, o uso de absorventes internos e masturbação com a introdução de algum objeto na vagina pode causar o rompimento do hímen, mas tudo isso varia de mulher para mulher, pois existem diversos tipos de hímen e ainda pode-se nascer sem. O mais importante é que se pode contrair uma DST sem o uso de preservativo.

MASTURBAÇÃO – A masturba-ção pode ser definida como a esti-mulação dos órgãos genitais, ânus, mamilos e outras partes do corpo, uti1izando-se as mãos e objetos, podendo ser realizada pela própria pessoa ou pelo (a) seu (sua) parceiro (a), sendo uma prática comum durante toda a vida: infância, adolescência, idade adulta e terceira idade.

A masturbação não é prejudicial à saúde, pelo contrário, ela ajuda no desenvolvimento sexual da pessoa através do autoconhecimento, se constituindo em algo comum e normal entre homens e mulheres.

Existem muitos mitos sobre esse assunto, os principais são que este ato leva à loucura, produz espinhas, vicia, faz com que cresça pelos nas mãos etc., mas nada disso tem comprovação científica.

SEXO SEGURO – Sexo seguro é o sexo que diminui o risco de contaminar ou ser contaminado(a) com DSTs, além de evitar gravidez indesejada. Deste modo deve ser praticado com o uso de preservativo (masculino ou feminino). Muitos dizem que usar camisinha “quebra o clima”, incomoda e diminui a sensibilidade, mas com essas desculpas as pessoas ficam expostas a diversas doenças como sífilis, HPV, gonorréia, hepatite B, herpes, candíase, HIV, entre outras.

Estudos indicam que menos da metade da população brasileira sexualmente ativa usa camisinha, um número muito pequeno para a quantidade de DSTs e seus efeitos no corpo. Os principais sintomas das DST’s são coceira, verrugas e bolhas nos órgãos genitais, corrimento, ardor ao urinar e dor durante as relações sexuais. Assim, é bom ficar atento, pois muitas doenças são assintomáticas no início, ou seja, a pessoa pode ser portadora e não saber. Por isso, é aconselhável o uso de preservativo em todas as relações, além da consulta médica regularmente.

SEXO NA GRAVIDEZ – Sexo durante a gravidez é normal, é saudável e recomendável. Mas, em certos casos há algumas restrições, como por exemplo: gravidez de risco, gestação múltipla, sangramentos, histórico de abortos, baixa placenta, dilatação precoce.

Pesquisadores asseguram que sexo durante a gravidez faz bem a saúde tanto da mãe como do feto, uma vez que, dentre outros benefícios estão:
– o aumento do fluxo sanguíneo na região pélvica da mulher e com isso aumenta a oxigenação para o feto,

– liberação na corrente sanguínea (se a mulher sentir orgasmo), da substância chamada endorfina, a qual chegando à placenta provoca a sensação de bem-estar no feto.

Com a penetração não há risco de machucar o bebê, pois o pênis não passa do colo do útero. O único problema são as posições, contudo algumas posições oferecem maior segurança à mulher, quando esta se sente desconfortável.

A maioria dos autores consultados assegura que a posição do homem por trás e a mulher de lado é a mais indicada, embora existam ainda outras, como o homem na frente, mantendo a mulher as pernas levantadas ou ainda a posição em que a mulher fica de quatro e o homem a penetra por trás, são posições que trazem conforto para a mulher e não acarretam nenhuma possibilidade de dano nem uma pressão maior sobre o abdômen da futura mãe.

IMPORTANTE – As mulheres grávidas podem e devem manter a rotina sexual com o parceiro, mesmo que a freqüência seja menor. Autores entendem que, a vida se-xual, presente durante a gravidez, vai além do genital, já que este traz o comprometimento e a aceitação do outro, com benefícios significativos para os dois. Além disso, o casal será mais feliz quanto mais comprometido estiver com o prazer sexual do outro.

Vale ressaltar que, se sentir necessidade, o homem e/ou a mulher podem ir a um centro de saúde, onde se encontram os profissionais indicados para esclarecer dúvidas e fornecer as devidas orientações.

De igual importância, também é manter sempre um diálogo aberto com seu parceiro, bem como fazer o pré-natal corretamente.

* Terezinha de Freitas Ferreira é doutora em Enfermagem pela Universidade de São Paulo – USP. Docente do Centro de Ciências da Saúde e do Desporto – Ufac. Coordenadora do Projeto de Extensão “Anticoncep-ção: uma questão de cidadania”.

** Jamille G. Dombrowski é acadêmica do 4º ano do Curso de Graduação em Enfermagem da Universidade Federal do Acre – Ufac. Bolsista do Projeto de Extensão “Anticoncepção: uma questão de cidadania”.

 

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