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Material coletado em suposto cativeiro pode não conter DNA de Fabrício

O gerente geral da Polícia Técnica da Secretaria de Segurança Pública do Acre, Jessélio Advincola Medeiros, informou ontem que ainda não sabe se é possível ou não extrair o DNA das amostras de sangue coletadas no suposto cativeiro do adolescente Fabrício Costa, 16 anos, desaparecido desde o dia 6 de março deste ano.
Medeiros
De acordo com Advincola, o material coletado pela perícia está sendo analisado aqui mesmo em Rio Branco e só será encaminhado para um laboratório de DNA fora do Estado, caso fique evidenciado ser possível extrair o DNA. Mas as expectativas são as mínimas possíveis, isso porque o local foi lavado pelos suspeitos.

Além disso, para colher as amostras, a perícia fez uso de luminol – composto utilizado para revelar as cenas ocultas de um crime. O problema é que ao entrar em contato com as substâncias químicas do luminol, as moléculas presentes no sangue humano se quebram e os átomos rearranjam-se para formar diferentes moléculas.

Outro agravante é que o Acre não dispõe de laboratório de DNA. Solicitações desse gênero são encaminhadas para laboratórios de Brasília, Manaus, Belo Horizonte e Rio Grande do Sul, onde demoram em média entre 50 a 60 dias para ficar prontos. No caso de Fabrício, o material sequer saiu de Rio Branco.

“Somente a partir da análise dos elementos oferecidos pela perícia local é que sabemos que decisão tomar em relação ao DNA”, esclarece Advincola.

Como na casa abandonada no cruzamento das ruas Éden e Santa Terezinha, bairro 6 de Agosto, os peritos também encontraram um animal morto. Existe a dúvida em relação se o sangue é ou não de um ser humano.

Falta de estrutura atrapalha elucidação de crimes
O Departamento Técnico Científico da Polícia Civil é fundamental para a elucidação de crimes, mas para que isso aconteça na prática é necessário que esteja dotado da infra-estrutura necessária.

No Acre, além da estrutura deficiente, apenas 42 peritos são responsáveis por todo Estado. Jessélio Advincola acredita que essa realidade vai mudar a partir da inauguração da nova instalação, prevista para o mês de julho de 2011.

No local, será possível realizar exame de DNA, Toxicologia Química, Fonética Forense, Exame de Balística, Documentospia, dentre outros exames. Só com a estrutura física já foram gastos mais de R$ 1 milhão.

“O governo já comprou 40% dos equipamentos necessários e está licitando o restante. Se o processo de compra ocorrer rapidamente, a inauguração pode sair até mais rápido”, disse otimista Jessélio.

Com a inauguração de um laboratório de DNA no Estado, exames que levam atualmente até 60 dias para ficarem prontos serão realizadas no máximo em uma semana.