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Morhan colhe dados sobre filhos de hansenianos levados para abrigos

A Gazeta do Acre por A Gazeta do Acre
28/04/2010 - 05:28
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“Para mim era uma dor insuportável ter que abandonar meus filhos naquele lugar”. É assim que José Nonato de Souza, 61, recorda dos anos sombrios que passou no Hospital Colônia Souza Araújo, o local onde os portadores de hanseníase de Rio Branco eram isolados do convívio social. Vulgarmente chamados de leprosos, os hansenianos sempre foram tratados com discriminação e preconceito – inclusive patrocinado pelo próprio Estado.
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Além de sofrerem com o castigo do isolamento que lhes era imposto, eles precisavam enfrentar a dor da separação de seus filhos.  Homens e mulheres passaram a construir suas vidas dentro das colônias. Desta relação surgiram os filhos dos hansenianos. Mas ao invés de terem a esperança e o conforto proporcionados pela criação deles, o pós-parto se tornava um pesadelo.

Logos após o nascimento as crianças eram retiradas dos pais e levadas para abrigos chamados Preventório. Muitas delas cresceram longe do carinho familiar e nunca conheceram os pais biológicos. Essa prática aconteceu por quase meio século no Brasil, quando em 1976 as colônias de isolamento foram extintas.

Para reparar este erro do passado, o Morhan (Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase) quer incluir os filhos dos infectados pela doença nas leis que beneficiam os hansenianos ou criar novas.

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Ontem, o coordenador nacional do Morhan, Artur Custódio, chegou ao Acre para ouvir os depoimentos de pais e filhos que tiveram de enfrentar a dor da separação provocada pelo preconceito e pela ignorância. “A cura para a hanseníase foi descoberta na década de 1940, mas o Brasil ainda manteve o isolamento até 1976”, diz Custódio.

Desde o começo do ano o Morhan realiza levantamento em todo o Brasil para identificar os filhos dos hansenianos “arrancados” das colônias. “Até agora conseguimos encontrar 2,5 mil pessoas nessa situação”. Durante esses meses de pesquisas muitas histórias foram descobertas. “Há casos de maus-tratos dentro dos preventórios, abusos sexuais e outras coisas”, afirma o coordenador.

Após a coleta das informações, o Morhan pleiteará a inclusão dos filhos dos hansenia-nos na Lei 11.505, que institui o pagamento de indenização e pensão aos doentes que por décadas ficaram isolados nas colônias. Caso não seja possível o encaixe, a entidade estuda elaborar outra lei. O Morhan conta com o apoio da Ordem dos Advogados do Brasil. 

 

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