Divergências entre a prefeitura de Cruzeiro do Sul e o Governo se aprofundam

Parece que a história se repete. Por quatro anos, durante a gestão da ex-prefeita Zila Bezerra (PTB), entre 2005 e 2008, a relação entre a prefeitura de Cruzeiro do Sul e o Governo do Estado foi muito difícil. Com a eleição de Wagner Sales (PMDB) parecia que as coisas no segundo maior município acreano mudariam. Mas quem ouviu, ontem, na Aleac, o discurso da deputada Antonia Sales (PMDB) teve a impressão de assistir a reprise do mesmo filme. “Quero repudiar a campanha sórdida, rasteira e mesquinha que está sendo feita contra o Wagner Sales, em Cruzeiro do Sul, a mando de gente que até hoje não aceita a vitória dele”, protestou a deputada.Antonia-Sales-cruzeiro
Antonia Sales se referiu aos protestos de setores da sociedade cruzeirense contra o aumento do IPTU decretado pelo prefeito da cidade. “Quem estava criticando o aumento do IPTU eram apenas os petistas juntamente com aqueles empresários que o Wagner derrotou nas eleições. Entre os pobres e os humildes ninguém foi reclamar porque a segunda maior cidade do Acre só tinha sete mil cadastrados para pagar o IPTU e com o novo recadastramento tem 17 mil. Mas nove mil daqueles que tem renda baixa não vão pagar o IPTU, inclusive, o prefeito vai dar a titularização das terras para essas famílias”, defendeu-se.

A deputada não quis falar em rompimento com o Governo do Estado, mas não esconde mágoas. “Em nenhum momento o Wagner rompeu com o governador Binho. Falta o governador respeitar o prefeito de Cruzeiro do Sul e cumprir com a sua obrigação de dar apoio a todas as prefeituras. Para o Wagner até hoje ele não tem dado nada e ainda faz uma campanha difamatória dizendo que o prefeito não aceita parcerias.

 Tenho documentos que provam que quando o Wagner se valeu dele pedindo 90 toneladas de asfalto emprestado que foi negado. Também quando foi requisitada uma máquina para ajeitar a avenida Mâncio Lima o Deracre negou dizendo que tinha ordens para não emprestar nada para o Wagner. Isso quer dizer claramente que a ordem maior vem do governador do Estado”, acusou.

Perguntada o que deveria ser feito para mudar a situação de desentendimentos, a parlamentar disparou: “o que falta para o Governo do Estado é ser democrata porque do lado do Wagner não falta nada. Ele sempre está à disposição do governador e nunca se negou a nada. Acontece que ele nunca foi procurado para fazer parceria”, justificou.

Governistas acusam prefeito de não querer parceria
O líder do governo, deputado Moisés Diniz (PCdoB), não quis polemizar os desentendimentos entre prefeitura e Governo na tribuna. Para a imprensa resumiu o que pensa sobre o assunto. “A questão da crise que o prefeito Wagner Sales vive depois do aumento do IPTU tem que ser resolvida pela Câmara de Vereadores de Cruzeiro do Sul. Quanto às acusações de que o Governo não faz parcerias a população do município sabe que o governador Binho Marques  por várias vezes sentou com o prefeito. Ele, inclusive, continua com as portas abertas para fazer parcerias com qualquer prefeito. Portanto, não procede essa discussão. Agora, o diálogo tem que ser entre o prefeito e o governador. Não pode ser feito pela televisão e pelo rádio com o prefeito agredindo o governador”, explicou.

Quanto ao programa governamental ProAcre que prevê parcerias com as 22 prefeituras, Moisés, não acredita que esses desentendimentos possam prejudicar Cruzeiro do Sul. “Não há discriminação para nenhum prefeito. Haverá parcerias com os 22 municípios nas três áreas básicas: saúde, educação e produção. Inclusive, já fizemos com o prefeito de Marechal Thaumaturgo que é do PMDB e no momento certo faremos também com o prefeito de Cruzeiro do Sul. As portas do Governo do Acre continuam abertas para todos os prefeitos. Mas o governador não vai dialogar com ninguém através da mídia”, avisou.

Já o deputado Thaumaturgo Lima (PT), que tem sua base eleitoral no Juruá, concorda que parcerias entre prefeitura e Governo estão difíceis. “Realmente não existe a parceria. Os esforços não andaram porque o próprio prefeito não quis. Tanto que logo que o Wagner assumiu a prefeitura foi sinalizada a parceria. Mas não houve interesse por parte dele. O Governo do Estado vem fazendo parcerias desde o Governo Jorge Viana (PT) com todos os prefeitos do Acre. Portanto, esse pronunciamento da Antonia Sales não se sustenta porque o Governo tem interesse em fazer parceria com todas as prefeituras, mas para isso tem que haver a vontade do prefeito. A parceria não pode ser feita por um ato unilateral”, argumentou.

Outra questão levantada por Thaumaturgo foi sobre uma situação que se repete em Cruzeiro do Sul. “O desentendimento, não resta dúvida, acaba prejudicando a população que já vem perdendo desde a gestão da Zila Bezerra que também não sinalizou com a parceria. O atual prefeito dizia durante a sua campanha eleitoral que ganhando faria a parceria existir, o que não aconteceu. Se houvesse um entendimento entre a prefeitura e o Governo as coisas se-riam diferentes”, salientou.

Quanto à acusação da peemedebista de que a campanha contra o aumento do IPTU foi movida pelos petistas, o deputado ironizou. “O PT realmente deveria ter começado. Mas não foi isso que aconteceu. A deputada tem que admitir que quem deve arcar com o ônus da atitude do prefeito é ele mesmo. Há um descontentamento da população que quer pagar o IPTU, mas com um valor justo. Esse movimento na verdade nasceu dentro da Universidade da Floresta junto com a comunidade. Não foi o PT que puxou esse movimento. Eles querem que o prefeito faça uma cobrança justa entendendo a conjuntura social da cidade. Para cobrar o IPTU é preciso fazer um estudo profundo da conjuntura social e o prefeito não fez isso”, finalizou.  

 

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