Sem palavras…

Não sei o que dizer. Atacar a polícia pela omissão que custou a vida de mais um inocente talvez fosse uma boa pedida. Afinal, são muitos os elementos que comprovam a ineficiência da nossa polícia.

E não foi por falta de provocação que os resultados não apareceram. A própria família tomou a frente do caso e diariamente fornecia indícios da identidade dos possíveis seqüestradores. Sem falar dos apelos desesperados feitos através da imprensa.

Foi à família que requisitou a fita onde o jovem é seguido por dois suspeitos no Terminal. E mais uma vez foi à família que teve a idéia – e conseguiu – rastrear o chip do aparelho celular de Fabrício e chegar aos suspeitos. A família, sempre a família, por que nunca a polícia?

Mas nada do que eu diga ou escreva, por mais que sirva de desabafo e reflita a revolta de boa parcela da sociedade, vai trazer o adolescente Fabrício de volta.

Não vai recolocá-lo naquela parada de ônibus – de onde supostamente foi levado – e permitir que ele caminhe até sua casa, dê um abraço apertado na sua mãe e repouse na cama onde tantos sonhos foram gerados.

Afinal, o que um jovem faria num curso de computação, fora do horário escolar, se não tivesse grandes sonhos a realizar?

Também poderia me solidarizar com a família e falar da forma corajosa que todos agiram – e continuam agindo – para a elucidação do caso. Mas isso também não traria Fabrício de volta. Então o que dizer? O que escrever, já que nada trará Fabrício de volta?

É cruel demais abrir o jornal e constatar que Fabrício está morto. Mais cruel ainda é não saber onde está o corpo da vítima. Os bandidos que executaram esse terrível crime já avisaram: a família não terá o direito sagrado de velar o corpo do adolescente.

As nossas autoridades da Segurança Pública não podem tolerar isso. É dever do Estado devolver o corpo de Fabrício a sua família já que não teve competência para resgatá-lo com vida.

*  Dulcinéia Azevedo é jornalista e escreve às terças-feiras nesta coluna. E-mail: [email protected]

Assuntos desta notícia


Join the Conversation