Basta de intolerância!

Antes de mais nada quero dizer que tenho profundo respeito pelos evangélicos assim como pelos devotos de todas as religiões. Fiz grandes amigos em praticamente todas as comunidades evangélicas. Nos tempos em que apresentava um programa de rádio, no Juruá, quase houve um conflito generalizado entre protestantes e católicos da Vila Assis Brasil, em Cruzeiro do Sul. A situação que poderia levar pessoas pacatas à violência foi pacificada pela coerência do Pastor Carlos, da Assembléia de Deus e do Bispo católico, Dom Mosé, que utilizaram o programa para serenar os ânimos e restabelecer a verdade.

Sou cristão e acredito na passagem do Evangelho em que Jesus Cristo diante de uma situação de adultério em que a mulher seria apedrejada por uma turba enfurecida se adiantou e perguntou a multidão: “Aquele que estiver sem pecado que atire a primeira pedra”. Acho que qualquer devoto verdadeiro do cristianismo deveria antes de sair fazendo críticas à religião dos outros mostrar que na sua vida pessoal tem um comportamento condizente com as Escrituras Sagradas. Falar da boca para fora e fazer pose é muito fácil. Pior ainda é utilizar a religião para fins políticos eleitorais. 

Fiquei chocado ao ler a coluna do jornalista Luís Carlos Moreira Jorge, do dia 14, que trazia a nota Preconceito Religioso. Segundo as informações, numa emissora radiofônica os pré-candidatos Antonia Lúcia (PSC) e Tião Bocalom (PSDB) criticavam outro pré-candidato, Tião Viana (PT), por ter se solidarizado com as comunidades do Santo Daime que passaram por uma tragédia com o assassinato do cartu-nista Glauco. O desejo era que ele pedisse perdão aos evangélicos pelas suas posições tolerantes, já que Tião Viana é um católico praticante. Não estou aqui para fazer a defesa de nenhum candidato, mas da tolerância reli-giosa que é algo muito mais sério e principal causa da maioria das guerras no Planeta.

Algumas perguntas para servirem de reflexão aos leitores. Quantos católicos, evangélicos, judeus, muçulmanos, hindus e budistas já foram assassinados por motivos religiosos? Sem pensar muito me vem à mente Gandhi, Isaac Rabin e o próprio Jesus. Mais recentemente tivemos o caso dos assassinatos em uma comunidade evangélica, em Tarauacá, descritos no livro do deputado Moisés Diniz, O Santo de Deus. Outra questão: Quem ungiu esses candidatos como representantes de toda a comunidade evangélica?

Vale lembrar ainda que quem pretende ser representante da população acreana deveria conhecer a nossa Constituição que no artigo 5º, inciso VI, determina: “É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma de lei, a proteção aos locais de culto e suas liturgias”. Essa é a lei dos homens porque perante a lei de Deus quem fomenta discórdias e escândalos já está condenado.

* Nelson Liano é jornalista
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