O diferencial do Acre

Um tema que deverá ser muito debatido nas próximas eleições é o modelo econômico acreano. Fórmulas mágicas de desenvolvimento e modelos copiados de outros estados serão apresentados como a salvação da lavoura. No entanto, o que deve ser analisado é a vocação natural que o Acre tem para incre-mentar a sua produtividade ainda pequena. Floresta tropical quase into-cada só aqui e nos outros estados amazônicos tem. Mas como torná-la produtiva? Essa é a grande questão.

Recentemente uma cooperativa de Xapuri criada por seringueiros foi assunto da grande mídia brasileira. A Cooperfloresta foi matéria no Estado de São Paulo, na Folha de São Paulo e no site G1. Por que o interesse da mídia nacional pelo modelo da cooperativa acreana?

A resposta é simples. A Cooper-floresta consegue reunir alguns elementos fundamentais para o novo paradigma de desenvolvimento econômico com baixa emissão de gás carbônico desejado por muitos países do planeta: a inclusão social, o manejo dos recursos naturais e a produção comunitária sustentável. Cerca de 84 famílias que dependiam exclusivamente da extração da borracha encontraram na biodiversidade da floresta produtos de interesse comer-cial universal.

Depois da queda da borracha os sócios da Cooperfloresta entenderam que seria necessário trocar de atividade para poderem dar um padrão de vida decente às suas famílias. Assim criaram uma cesta de produtos madeireiros e não-madeireiros para oferecerem ao mercado consumidor. Aprenderam que o marketing de produto da Amazônia manejado e comunitário poderia ter uma aceitação muito grande para os consumidores mais conscientes com a questão do meio-ambiente.

Agora, o exemplo da Cooperfloresta poderá ser reproduzido em outras regiões do Acre e da Amazônia. Ninguém é contra a criação de gado e o surgimento de indústrias sustentáveis que possam gerar emprego e renda para os acreanos. Mas tudo deve girar em torno do diferencial acreano que é a sua floresta. Esse é o maior ativo financeiro que temos. Só é necessário que hajam projetos  executáveis que tornem o morador da floresta o seu único e verdadeiro dono. Assim daremos um passo grande para uma igualdade social e um desenvolvimento econômico próspero capaz de transformar o atual quadro social acreano.   

* Nelson Liano é jornalista
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