Crime encomendado

O que mais poderíamos falar sobre os vários crimes cometidos por pessoas que a polícia prende, porém um sistema falho acaba soltando. Poderíamos muito bem dividir a culpa pelo assassinato de seis jovens por um pedófilo solto por esse mesmo sistema. Afinal preferimos nos acomodar a reivindicar que a Segurança, prometida na nossa Constituição, configure-se em realidade para os trabalhadores de bem, que precisam de dois ou três turnos para dar uma educação aos filhos e comida na mesa.

As vezes imagino que cada vez mais os presos tem mais direitos que o restante da população. É certo que tudo se configura pela lei brasileira. Aí me lembro quem rege essas leis: nossos políticos. A “mansidão” das penas talvez seja um resguardo, para que mais tarde, quando forem pegos, não tenham que passar o resto de suas vidas na cadeia.

Vamos voltar a incompetência do sistema. Cada vez mais temos pessoas levadas para uma vida fácil, o crime – pelo menos é como eles acham que é -, porém o Governo, seja qual esfera for, não consegue acompanhar essa necessidade de “acomodação” nos presídios para todos. Temos que lembrar as regalias que têm, inclusive com direito a rebelião quando a comida não é a melhor.

Soltar presos que cometeram crimes hediondos é um crime contra o restante da sociedade. No entanto soltar pedófilos – criminosos odiados até mesmo dentro das penais, isso pode ser comprovado com o pai currado recentemente – é um absurdo. Vem um “ministro da vida”, com mansão em bairro nobre, carro blindado e segurança na sua porta, e afirma que “não podemos fazer leis em momentos de comoção”. Ele praticamente afirmou que os pedófilos, os seqüestradores, os seriais killers devem continuar sendo solto e você, as pessoas de bem, que se virem, ou se abaixem, ou levantem os braços, mas se puder corram, pois mesmo a polícia não está preparada para nós proteger.

Acredito no esporte como fator de ressocialização de pessoas, mas acredito ainda mais em dar a vara de pescar para tornar a pessoa um cidadão. No entanto nas últimas décadas o Brasil “criou” uma verdadeira geração de semi ou totalmente analfabetos, incapazes de preencher os requisitos mínimos nos vários concursos gerados por esse país. Sem emprego, sem educação, o destino de parte dos jovens é ingressar na vida do crime. Mas o pedófilo – falando nisso cadê mesmo a CPI da Pedofilia, claro que é só por perguntar, afinal no final apenas o peixe pequeno será pego – esse não tem classe social, não tem etnia ou crença. Esse pode estar dentro das famílias ou perto delas. Esse tem que ser preso e, se possível, castrado. Como não é possível, trancado e jogado a chave fora.

Ramiro Marcelo é jornalista.
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