Um sonho chamado Tonicão

Vou voltar a um assunto que deveria estar esgotado, mas vira e mexe aparecem pessoas ignorantes – claro que de conhecimento do assunto – para saber porque o estádio da Federação de Futebol do Acre recebeu o nome do presidente da entidade e não alguma outra personalidade acreana, como é o caso do nosso saudoso representante no cenário nacional Armando Nogueira. Ou mesmo porque as obras ainda não foram concluídas.

A primeira das discordâncias é que todo e qualquer investimento nas obras, que já chega a mais de milhões aplicados no estádio da Federação, em mais de uma década de obras, não tem dinheiro do setor privado, do poder público ou mesmo de ongs filantrópicas. Até mesmo a perspectiva de ajuda acabaram “caindo da carroceria”, ficando as promessas na estrada da vida.

Estive mais de uma vez cobrindo pautas em que autoridades prometeram ajudar este “louco” a construir seu estádio. Matéria pronta, pu-blicada, as promessas, mais uma vez, acabaram sendo esquecidas. Mas não por todos, pois muitas das pessoas que liam, ouviam ou assistiam as maté-rias da mídia chegaram para nós, os comu-nicadores, perguntando: “porque o Toniquinho (Antônio Aquino) ainda não acabou o estádio? Afinal ele recebeu dinheiro de A ou B nos jornais!”.

Volto a dizer: a menos que o presidente tenha enganado a imprensa, nenhum dinheiro, que não seja o da CBF para custear a Federação e que, a duras penas, é aplicada no estádio, nenhum outro dinheiro entrou no estádio batizado como “Florestão” – mas ainda prefiro Tonicão.

Falta pouco para sua inauguração, talvez pouco menos que um ano. Com a sua inauguração é provável que a Associação dos Cronistas Esportivos – ou quem sabe apenas uma parte dela – volte a realizar o Torneio Início, realizado como apresentação das equipes para suas torcidas, com escolha de rai-nhas, o desfile dos árbitros e a velha mística de que quem vence esta competição não ganha o Estadual (mística derrubada pelo Estrelão).

O futebol profissional acreano passa por uma reformulação, a qualificação de alguns setores, a chegada de novas equipes, a disputa salutar e a volta de rivalidade. Por que não ter dois belos estádios na Capital para jogos, cada um com capacidade para clássicos, para competições nacionais ou até mais. Sei sim, que quem ganha é o torcedor, o futebol acreano e esse “louco” que pegou um terreno baldio e o transformou em um estádio de futebol.

Ramiro Marcelo é jornalista e cronista esportivo.
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