30 dias sem Fabrício

Não precisei co-nhecê-lo para amá-lo. Não precisei conviver com ele para de-fendê-lo, não precisei abraçá-lo para só depois sentir saudades.
Só uma coisa despertou em mim tamanha dor e indignação com o seu sumiço: o fato de ser mãe, o fato de Fabrício ser um adolescente como meu filho primogênito.

Como mãe, me coloco no lugar de sua avó que o criou desde recém-nascido e, portanto, era sua mãe, a que estava presente, a que cuidava, a que educava, a que se importava com cada passo seu.

Não precisei cuidar do Fabrício, criar o Fabrício, dar banho e comida nas horas certas para me sentir roubada, ultrajada, com o rapto desse garoto.
Não precisei fazer com ele as tarefas da escola para questionar a demora da entrada da polícia neste caso.

Sei que muitos adolescentes fogem de casa e ficam com medo de voltar porque temem um castigo. Não foi o caso do Fabrício. Compreendo que a polícia tem algumas regras a serem seguidas em um caso como esse, mas 13 dias para iniciar as buscas foi tempo demais. Tempo que pode ter sido crucial.
Esse caso é intrigante, desafiante e ao mesmo tempo educativo.

Hoje em Rio Branco, acredito que não exista um bom pai e uma boa mãe que não tenham redobrado suas atenções para com os filhos. E, ao mesmo tempo, não estejam revoltados com os caminhos das investigações.

Pessoas e mais pessoas estão sendo presas para averiguação e até agora nenhum dos 11 envolvidos souberam dizer, ou não querem dizer, onde está Fabrício. Por quê?

Neste momento é que a sociedade civil organizada, as igrejas, pais, mães, colegas, adolescentes, de todas as escolas, devem se unir no ato público que será realizado hoje, sexta-feira, às 8h da manhã, em frente ao Palácio do Governo.

Um filho, um sobrinho, um neto não podem sumir assim. Assim como nossa indignação não pode se acabar sem que esse caso tenha um desfecho.
Trinta dias fazem que Fabrício foi raptado. Exatamente hoje. Não podemos permitir que as autoridades competentes se esqueçam dele pois, se ele for esquecido, muitos outros desaparecerão e nada será feito.

Localizar Fabrício, vivo ou morto, e colocar na cadeia os criminosos, é uma questão de honra para a polícia e uma questão de justiça para a sociedade.

* Eliane Sinhasique é jornalista, radialista e publicitária
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