Críticas sim! Ameaças não!

Pela terceira vez na minha vida de jornalista fui ameaçada, intimidada.

Nas duas primeiras, os ameaçadores tinham cara e nome. Com cara e com nome fica mais fácil saber como proceder e, naqueles momentos, soube muito bem o que fazer e fiz. Olhei dentro dos olhos e conversei. Bastou.

Na última ameaça que aconteceu por telefone, na quarta-feira dia 7 (Dia do Jornalista), o cidadão não se identificou. Ligou para o telefone da rádio e falou para minha secretária me dar um recado: “Diga para ela lavar a boca quando for falar no nome do deputado Walter Prado”. Estava bravo.

Tenho quase certeza de que se trata de um fã ardoroso do deputado, um eleitor, um homem que tomou as dores pelo parlamentar que foi criticado por mim no programa “Boca no Microfone” de terça-feira.

Devo dizer que já o critiquei no rádio e já o critiquei pessoalmente, ano passado, em uma entrevista cara a cara com ele. Não houve estresse.

Como não criticar um parlamentar que é o presidente da Comissão dos Direitos Humanos, na Assembléia Legislativa acreana, quando ele não apoiou as viúvas dos policiais mortos em combate?

Como não criticar a mesma postura de inércia diante do caso de desaparecimento do garoto Fabrício?

E mais. Não critiquei apenas o silêncio do deputado. Critiquei também a apatia dos membros da sociedade civil organizada, as igrejas, as associações de moradores, os membros da nossa comunidade, o pessoal dos Direitos Humanos que nenhuma visita fez à família do menino.

A avó do garoto Fabrício, que o criou desde recém-nascido, está com 62 anos e pesando 36 quilos! Ninguém apareceu para prestar solidariedade, ajuda psicológica, dar um abraço, uma palavra de conforto.

Ora bolas, carambolas!

Sou jornalista e cidadã. Observo o que se passa ao meu redor. Uso a minha tribuna radiofônica para chamar a atenção para determinados fatos que, de repente, não estão sendo observados pelas autoridades competentes.

Não tiro o mérito das coisas boas e dos projetos que são apresentados pelo deputado para beneficiar a comunidade. Ele é atuante, não posso negar. Mas, nessa comissão, que ele está presidindo, ainda não vi absolutamente nada digno de registro.

Se a comissão dos Direitos Humanos, comandada pelo parlamentar, está fazendo alguma coisa é bom que sua assessoria dê visibilidade. Aliás, ainda não sei, e nem a população sabe, o que é que faz uma comissão como essa. Qual é a sua função? Para quê serve?

Críticas, alertas ou sugestões continuarei fazendo até que alguém se toque e tome as atitudes necessárias que os casos requerem.

Não posso admitir que uma pessoa, sem cara, sem nome e sem sobrenome, me mande lavar a boca para falar de um deputado que, neste caso, está omisso. Vivemos num país onde a democracia existe e eu a exerço com muita dignidade. Não ameaço ninguém. Apenas critico.

Eliane Sinhasique é jornalista, radialista e publicitária
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