Iguais? Uma ova! (reescrito)

Tem gente que quer ser igual a mim. Impossível. Assim como é impossível que eu escreva da mesma forma que o Silvio Martinello. Ele tem o estilo dele. E eu tenho o meu. Acho o estilo dele lindo, mas o meu é “o meu”.

 Eu não sou igual a você que está lendo este artigo. Não sou igual à minha mãe. Não sou igual aos meus irmãos. Não sou igual aos meus filhos, aos meus vizinhos, colegas, amigos, alunos, chefes, clientes, parentes e aderentes.

Não sou igual e nem parecida com ninguém. Sou única. Como todos os seres humanos com características distintas fisicamente, intelectualmente, biologicamente, financeiramente etc. Vivemos em famílias, tempos e culturas diferentes. As vivências que tive, os outros não tiveram e nem terão, assim como eu não vivi a vida dos outros.

Perante a lei todos somos iguais mas, infelizmente, no único lugar que deveríamos ser iguais não somos, não é isso que observamos na prática. O crime pode ser o mesmo mas, as penas variam de acordo com o gênero, com a graduação escolar, com a posição social e com a conta bancária. Alguém duvida? Vejam o caso do professor acusado de violentar um aluno. Ele teve direito a uma cela individual no presídio Antonio Amaro para ter sua integridade física resguardada ao passo que o trabalhador rural, acusado do mesmo tipo de crime, foi parar no presídio Francisco d’Oliveira Conde e foi estuprado por outros presos não tendo os mesmos direitos que o professor.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos só serve para nos lembrar que temos alguma coisa em comum. Somos seres humanos. Humanos e diversificados. Graças à Deus! Odiaria encontrar uma cópia de mim.

Os movimentos sociais evoluíram e o discurso melhorou muito. Parabéns. O artigo 5º da Constituição Brasileira está sendo “refeito” de acordo com a ordem natural da humanidade. Homem é homem, mulher é mulher, gay é gay e lésbica é lésbica. Negro é negro, índio é índio, católico é católico, evangélico é evangélico, bicho é bicho e gente é gente. Cada um na sua e todos convivendo em harmonia.

Respeitar as diferenças será a grande sacada da humanidade. Precisamos disso para acabar com a intolerância. Mas precisamos ser iguais perante a Lei. Não somos iguais. Isto é um fato. Mas podemos conviver, com muito respeito, com as nossas diferenças e isso, só isso, pode ser igual nas relações humanas. Igual no sentimento do respeito pela diversidade entre os seres, igual nas regras de civilidade, na lei.

Acredito que apenas um direito possa ser universal. O direito de sermos felizes sem, obviamente, desrespeitar o direito dos outros.

Eliane Sinhasique é jornalista, radialista e publicitária
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