Vergonha de ser pobre

Na atualidade, ganha destaque o estudo psico-social da conduta humana desenvolvido pelo psicanalista italiano Contardo Calliga-ris (2006), doutor em psicologia clínica e colunista do jornal Folha de São Paulo.

Ele acredita que a vergonha de ser pobre está arrasando a espécie humana. Impedindo o homem de ser feliz e o conduzindo a criminalidade.

A vergonha estudada por Calligaris em nada se assemelha ao sentimento manifestado pelo indivíduo quando este pratica um ato reprovado pelas normas que regem a conduta humana, um roubo, por exemplo. “Ao ter vergonha de ser pobre, o indivíduo tem vergonha de quem é – da sua essência – tendendo à autodestruição”, assevera.

Para o psiquiatra e escritor Augusto Cury enquanto algumas pessoas encaram suas derrotas como lições de vida, outras as tratam como “um sufocante sentimento de culpa, uma perda, uma dor insuportável”. 

E completa: “as maneiras como enfrentamos as rejeições, decepções, erros, perdas, sentimentos de culpa, conflitos nos relacionamentos, críticas e crises profissionais, pode gerar maturidade ou angústia, segurança ou trauma, líderes ou vítimas”. 

Cury assegura que a “complexidade da mente humana nos faz transformar uma borboleta num dinossauro, uma decepção num grande desastre emocional, um ambiente fechado num cubículo sem ar, um sintoma físico num prenúncio de morte, um fracasso num objeto de vergonha”.

Quem imaginaria, por exemplo, que Judas, conhecido como traidor do filho de Deus, era o único dos doze discípulos que não apresentava qualquer traço de agressividade ou de distúrbio na sua personalidade. Ao contrário, era moderado, eloqüente, discreto, equilibrado, sensato e o mais polido dos discípulos, chegando ao ponto de jamais ter sido repreendido por Jesus.

James Gilliann, psiquiatra norte americano, após visitar prisões e hospitais mentais por 35 anos, descobriu um traço comum na personalidade da maioria dos presos com quem conversou. Em 90% dos casos, o desejo de respeito, tinha sido o motivador da violência.

Em nome da honra própria ou de outrem, em defesa da dignidade, muitos indivíduos, estão dispostos não só a matar, mas também morrer. Triste e infeliz raça humana.

*Dulcinéia Azevedo é jornalista e escreve às terças-feiras nesta coluna. E-mail: [email protected]

 

 

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