Manipulação é covardia

É muito fácil de entender a vitória de Manoel Lima, citado pelos professores em greve, como pelego, segundo li na coluna do Luís Carlos, para novo mandato a frente do Sindicato dos Trabalhadores da Educação, bastando para isso, lembrar as razões pelas quais foi criada a APL, Associação dos Professores Licenciados, hoje Sinplac.

Desde que aquele sindicato passou a englobar todos os funcionários da Educação os professores perderam espaço na dinâmica da política que envolve a gestão escolar e que culmina com as escolhas feitas para a direção do sindicato. No Conselho Escolar, que existe em todas as escolas, os funcionários também têm assento, de modo que, juntando representantes de alunos e pais os professores ficam em minoria, sempre.

Ora, um funcionário administrativo da Educação faz um trabalho que em nada difere de quaisquer outros órgãos. Sendo as questões comumen-te levadas ao Conselho, cuja presidência é do diretor, de ordem disciplinar e, ou, didático-pedagógicas, exigem a análise e a avaliação por parte de especialistas. Pode ficar muito fácil, portanto, para os diretores manipularem e orientarem as resoluções de acordo com seus interesses, eliminando professores que possam estar indo de encontro aos seus interesses, que, no mais das vezes, redundam sempre em manter “status”, mais nada.

Quanto aos pais, não conhecem uns aos outros e seus encontros acontecem uma vez por ano, sentindo-se cada um, mais um entre estranhos, nas reuniões da comunidade escolar. O mais que podem é acatar “tudo que seu mestre mandar”, no caso, os próprios diretores. A inexperiência na prática política, e, muitas vezes, a falta de formação de qualquer tipo, podem torná-los cordeirinhos sob o cajado do pastor da escola.

Os diretores, quando eleitos quase sempre, como ocorre em outras instâncias, encarnam aquele personagem que, sentindo-se no topo da pirâmide, passa a reforçar a hierarquia, a verticalidade em detrimento da horizontalidade.

O prestígio junto à secretaria, o fato de poder participar das reuniões fechadas e fazer parte do complô, digo, da cúpula, faz com que passem a se distinguir dos professores, ou seja, a esquecerem de onde vieram. Quem criou o projeto de lei para eleições de diretores de escola não teve a preocupação de estipular um período para observação da aplicabilidade da lei com o fito de fazer as correções e o aperfeiçoamento no sentido de uma participação democrática, de fato.
Eles, os diretores saíram em campo para eleger o Manoel Lima e obrigaram os professores provisórios a voltar ao trabalho. Os provisórios são aqueles que recebem setenta e cinco por cento do salário dos concursados e que trabalham como cachorro. Caso não voltassem,  teriam seus vencimentos cortados.

Em matéria de política o que prevalece são os modelos. Em sociedades monocultoras, nosso caso, as práticas políticas só podem refletir o que está posto pelo conjunto da sociedade e, que resulta, do modo como a economia está organizada.

Essa coisa de um só produto predispõe à concentração de renda de modo que a ausência de produção diversificada explica as mentalidades. A cultura, enquanto a aquisição do conhecimento, padece de estímulos. Sendo o Estado, o maior empregador ele segue a velha orientação de tornar-se instrumento para permanência no poder das velhíssimas elites mo-noculturas. Os currais eleitorais são perpetuados de modo sempre mais invisível quanto mais enérgica é a ação do Tribunal Eleitoral, mas sem perder, em essência, a sua natureza de curral.

Os trabalhadores administrativos das escolas e aqueles de apoio constituem currais, também porque existe uma  tal de “dobra” ou seja, o funcionário recebe um pouco mais para trabalhar dois turnos. Nessas condições a opção dele é sempre ficar do lado do diretor que por sua vez, está sempre do lado da secretaria.
É claro que não existe uniformidade nas formas de pensar do professorado, afinal, a escola é um cadinho da sociedade como um todo. Mas o que é flagrante é a forma como o Estado procura sempre recalcar os professores nivelando-os por baixo. Interessante notar que a secretaria, não raro, lança mão de professores qualificados, içando-os do ambiente escolar para auxiliar suas “equipes” na própria secretaria, em prejuízo do próprio alunado. Talvez porque os apadrinhados do governador, que tiraram o pé da lama e dirigem carros de último tipo não sentem necessidade de estudar, de fazer pós-graduação, de fazer nada. Entra Jorge, sai Jorge, entra Binho, sai Binho, entra Tião e eles continuam lá…

O que o Estado faz? Cursinhos tipo adestramento às novidades do MEC, mas que não exigem nem pesquisa nem licenciamento das aulas, nem propiciam titulação acadêmica. A secretaria vê como perigoso ou nefasto o fato de um professor ter pretensões de cursar um mestrado por receio que se evadam para a universidade ou para as faculdades particulares. Ou seja, tem uma visão anacrônica e uma política de contenção. Na Coréia do Sul,  os professores de ensino médio e fundamental, têm  mestrado, passam oito horas na escola, mas recebem um salário de oito mil dólares. Isso, há cinco anos. O que denota que o plano econômico determina a melhora ou piora do ensino.

A secretaria não pode oferecer cursos de pós-graduação para exigir mais porque não pode pagar de forma compatível, o que denota que a má condição do ensino decorre da contenção da folha de pagamentos. A pecuária, que veio substituir o extrativismo de borracha,  não é capaz de propiciar uma diversificação na economia, e por isso, maior demanda por conhecimentos, profissionais qualificados, expansão do mercado no sentido vertical, que só ocorre na horizontal com oferta de empregos para açougues e outros estabelecimentos comerciais. Mas para seus arquitetos e engenheiros o Governo paga sim, mestrados fora do Estado, sem nem olhar os custos.

Quando o Estado baixa o porrete e envia os professores de volta para o andar de baixo e ainda, manipula as eleições para o sindicato que tem, diga-se, de passagem, uma arrecadação respeitável, para não fazer absolutamente nada em prol da categoria, a não ser “conveniozinhos” com clínicas e drogarias, ele, o Estado, está apenas garantindo a permanência no poder do grupo que aí está. Deixar os professores “prá baixo” foi um erro grasso. Certos assessores políticos mais parecem coveiros do PT, cujo governo nunca propiciou Fóruns de debates onde professores e pedagogos pudessem discutir e debater os problemas da educação. Ele jamais adotou um plano para a educação que brotasse de um encontro desse tipo, com a participação, a experiência, as expectativas e as perspectivas dos professores. A política do governo é de achatamento e tratamento dos professores como se fossem obtusos, incapazes de pensar e encontrar saí-das. Quando a educação é o setor mais dinâmico de uma sociedade, pois, envolve permanente pesquisa e aquisição de conhecimentos, reflexão,  inovação e  resultados em tempo médio e curto.

 

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