A felicidade é democrática?

Andei lendo textos sobre a felicidade, o que é, o que significa e qual o caminho para encontrá-la. A possibilidade da construção da felicidade, como meta de vida, deve partir de uma vontade quase cega e deve ser vista como um propósito consciente e único na vida. A felicidade é o objetivo de vida de todo ser humano. Costuma-se dizer que a felicidade não é um destino, mas o modo de viajar, o modo de viver o dia-a-dia. A felicidade, sendo um sentimento democrático, habita o interior de cada pessoa, mesmo que ela não saiba. Há trilhas simples que levam à descoberta da felicidade, sonho que cada ser humano deve compartilhar e viver com o outro.

Do quanto li há uma mensagem rica que desejo passar aos leitores, esperando que gostem, exercitem, pratiquem o amor, vivam e sintam a felicidade. Esse roteiro propicia uma leitura interior para o conseqüente exercício da felicidade.

1. O amor é um sentimento que faz parte da “felicidade democrática”, aquela que é acessível a todas as pessoas. Diz-se ser democrática por derivar do fato de às pessoas sentirem-se boas, corajosas, positivas, livres, ousadas. Ao contrário, a “felicidade aristocrática” deriva de sensações de prazer possíveis apenas para poucos: riqueza material, fama, beleza extraordinária. Felicidade aristocrática tem a ver com a vaidade e é geradora inevitável de violência em virtude da inveja que a grande maioria sentirá da ínfima minoria.

2. O quê significa ser feliz? Pessoa feliz é aquela capaz de usufruir, sem grande culpa, os momentos de prazer e ao mesmo tempo aceitar, com serenidade, as inevitáveis fases de sofrimento. Ninguém é feliz o tempo todo, mas os períodos de felicidade correspondem à sensação de que nada falta, de que o tempo poderia parar naquele ponto do filme da vida.

3. A felicidade é acessível a todos, mesmo assim são raras as pessoas bem sucedidas no amor. Os encontros acontecem quando as pessoas desejam e buscam no outro os requisitos desejados. Mas cuidado, as simplificações existem e fazem parte das estratégias de enganar pessoas crédulas. Logo, a felicidade sentimental não é encontrada por acaso, requer sabedoria para encontrá-la.

4. Qual o primeiro passo para a felicidade? Cada pessoa deve aprender a ficar razoavelmente bem sozinha. É um aprendizado que exige treinamento, e a cultura brasileira não estimula ninguém a isso. Pessoas capazes de ficar bem sozinhas são menos ansiosas e podem esperar com sabedoria a chegada de amigos e parceiros sentimentais adequados.

5. É importante definir sentimentos? Ninguém é feliz não sabendo AONDE QUER IR. A felicidade é um caminho, não um labirinto para gente perdida. Amor é o sentimento que se tem por alguém cuja presença provoca a sensação de paz e aconchego.

6. Como fazer a escolha amorosa adequada? Essa condição é chamada de +amor, mais do que amor. Amigos são escolhidos de modo sofisticado e de acordo com afinidades de caráter, temperamento, interesses e projetos de vida (falo dos poucos amigos íntimos que se tem e não dos inúmeros conhecidos). A escolha amorosa deverá seguir os mesmos critérios.

7. Como fugir dos medos? É importante dominar medos, sentimentos, pois ninguém suporta viver ao lado de gente medrosa, insegura. Todos desejam pisar terreno sólido, pois o líquido afoga quem não sabe nadar. Encontrar-se consigo é importante, antes de encontrar-se com o outro.

8. Ser feliz requer coragem? Sim, é preciso conhecer-se e conhecer o outro nos sentimentos. Aos poucos se vai ganhando terreno sobre os medos e agravando a intimidade com aquela pessoa que tanto se deseja estar na vida. Antes é preciso ter coragem, avançar no relacionamento, se dando bem com o outro.

9. Existem almas gêmeas? É provável que não, se se considerar que nem todos os pontos de vista são afinados, nem todos os hábitos são compatíveis. A maturidade emocional se caracteriza pela capacidade que tem uma pessoa de suportar bem as dores da vida, de conviver com outras em equilíbrio.

10. Maturidade moral é indispensável àqueles que amam? Sim, pois ela estabelece a mágica da confiança para que se tenha coragem de enfrentar o medo de ser traído ou enganado. Não se pode confiar a não ser em pessoas honestas, constantes e consistentes. Este é mais um requisito para que se possa ser felizes no amor.  Ninguém é feliz vivendo sobre uma corda bamba.

Perceba o leitor que a felicidade não é bicho de sete cabeças. Ela pode habitar o interior de qualquer pessoa, povoar a vida de um casal, família, comunidade. Apenas são necessários os requisitos básicos para que o +amor se estabeleça, para cada pessoa avançar moralmente e se tornar confiável a outra. Também, é essencial aprender a ter novas atitudes, no momento presente, atitudes que funcionem como fator desencadeador de uma nova e realista auto-imagem. Ainda, é bom examinar as necessidades indivi-duais: o que a pessoa necessita, realmente, para ser feliz? A partir da resposta, refletir como utilizar a sua maior riqueza: o tempo de vida.

Igualmente é importante reagir de maneira diferente da costumeira, surpreendendo-se e alcançando bons resultados. Por isso tudo, mude, escolha vibrar em uma sintonia mais elevada. Não tenha medo de sorrir, de amar e dizer que ama, de precisar e dizer que precisa, seja acolhedor, abra seu coração e deixe a vida entrar. Não fique, apenas, contemplando o céu, olhe com atenção seu interior e tudo que está ao seu redor, pois a felicidade está por perto. Abra a mãe e apanhe-a.

DICAS DE GRAMÁTICA
Mau e Mal, como usá-los?
Mau, o contrário de bom, é adjetivo – portanto sempre acompanha um substantivo – e tem o feminino má (plural: maus e más):
Fez um mau negócio, num mau momento.
Os homens maus e as mulheres más sempre se dão mal.
O lobo mau enfrentou um homem bom.
Mal tem por antônimo a palavra bem, pode ser advérbio, substantivo ou conjunção:
(1) advérbio de modo: Quando ele se comporta mal, nada vai bem.
(2) substantivo: O pequeno mal que o remédio provoca é compensado pelo bem que lhe traz.
3) conjunção: Mal chegou de viagem, já deseja partir.

Luísa Galvão Lessa – É Pós-Doutora em Lexicologia e Lexicografia pela Université de Montreal, Canadá; Doutora em Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro; Mestra em Letras pela Universidade Federal Fluminense; Membro da Academia Brasileira de Filologia; Membro da Academia Acreana de Letras.

 

 

 

 

 

 

Assuntos desta notícia


Join the Conversation