Anticoncepção de emergência (Pílula do Dia Seguinte)

Os métodos contraceptivos são substâncias, dispositivos ou procedimentos que são utilizados para se evitar uma gravidez indesejada, porém alguns destes métodos previnem não apenas a gravidez, mas também as doenças sexualmente transmissí-veis. Eles permitem o controle e a regulação da reprodução, permitindo que o casal decida quando deseja ter filhos.

Os anticonceptivos podem ser divididos em cinco classes, quais sejam: métodos hormonais que in-cluem anticoncepcional oral, anticoncepcional injetável mensal e trimestral, pílula do dia seguinte, anel vaginal, adesivo transdérmico e implante subdérmico; métodos de barreira como preservativo masculino e feminino diafragma e espermicida; métodos comportamentais ou naturais que são a tabelinha, temperatura basal, muco cervical e sintotér-mico; DIU (Dispositivo Intra-Uterino) e métodos cirúrgicos que compreende a ligadura de trompas e a vasectomia.

Boa parte dos métodos contra-ceptivos é utilizada com o objetivo de prevenir a gravidez antes ou durante as relações sexuais. Mas, a pílula do dia seguinte, também conhecida como anticoncepção de emergência, é um método utilizado para evitar a gravidez após as relações sexuais.

INDICAÇÃO – O seu uso está indicado em casos excepcionais e especiais como falha do método contraceptivo de rotina utilizado (esquecimento de uma ou mais pílulas, atraso na data do anticoncepcional injetável, erro no cálculo do período fértil), rompimento do preservativo, deslocamento do diafragma ou abuso sexual.

É importante lembrar que a pílula do dia seguinte não deve ser usada de modo planejado, ou ainda substituir o método contracep-tivo de rotina.

CONTRA-INDICAÇÃO – A pílula é contra-indicada para as mulheres que sofrem de alguma doença hematológica (do sangue), vas-cular, é hipertensa ou obesa mórbida. Isso porque a grande quantidade de hormônio pode provocar pequenos coágulos no sangue e como conseqüência obstruir os vasos.

AÇÃO – A ação desse método anticonceptivo vai variar conforme o período do ciclo menstrual o qual a mulher se encontra. Considerando as diversas dúvidas que surgem quanto ao seu risco obortivo é oportuno explicar sobre seu mecanismo de ação.

Para tanto, necessário se faz relembrar que uma relação sexual só resultará em gravidez caso ocorra no dia da ovulação ou ainda nos cinco dias que a precedem. Esse período de fertilidade vai variar conforme o ciclo menstrual e a mulher, sendo que a ovulação pode ser antecipada e ocorrer até no 10º dia do ciclo menstrual, mas também ser retardada até o 23º dia.
Os espermatozóides podem permanecer no trato genital feminino por um período de até cinco dias, e é nesse período que a pílula do dia seguinte irá atuar evitando a gravidez.

Ela poderá retardar ou impedir a ovulação, evitando assim o contato dos espermatozóides presente no trato genital feminino com o óvulo.

Após a ovulação, o medicamento além de alterar o transporte dos espermatozóides e do óvulo nas trompas, também altera as características do muco cervical, tornando-o espesso, dificultando ou impedindo o acesso dos espermatozóides presentes no trato genital feminino às trompas e consequentemente em direção ao óvulo.

Dessa forma, por meio de um desses mecanismos a fecundação será evitada e sempre antes da implantação, excluindo a possibilidade de eliminação precoce do embrião.

FORMAS DE USO – Quanto ao seu uso, recomenda-se que o primeiro comprimido da pílula do dia seguinte seja tomado com no máximo 72 horas após uma relação sexual desprotegida e o segundo comprimido deve ser tomado 12 horas após o primeiro.

EFICÁCIA – Caso o primeiro comprimido seja ingerido nas primeiras 24 horas após a relação sexual desprotegida sua eficácia aumenta. Contudo, vele lembrar que o uso indiscriminado e repetitivo desse método anticonceptivo comprometerá a sua eficácia, que será menor do que aquela que se têm quando se utiliza um método anticonceptivo de rotina.

As mulheres que fazem ou vão fazer uso da anticoncepção de emergência devem ser orientadas quanto aos possíveis efeitos adversos que ela causa, dentre eles, as náuseas e vômitos são os mais freqüentes.

ATENÇÃO! – Por se tratar de um método anticonceptivo que previne apenas a gravidez, a pílula do dia seguinte deve ser utilizada apenas em ocasiões excepcionais, pois esse método não oferece qualquer proteção contra as doenças se-xualmente transmissíveis.

Por isso a orientação da mulher que procura esse tipo de método anticonceptivo deve ser reforçada, com informações sobre a possibilidade de contrair umas dessas doenças durante uma relação desprotegida e a importância do uso da camisinha masculina ou feminina que é o único método anticonceptivo que oferece os dois benefícios: previne a gravidez e as doenças sexualmente transmissíveis.

Por último informa-se que toda mulher adulta ou adolescente que procurar o serviço de saúde para aquisição do contraceptivo de emergência deverá ser inserida no programa de planejamento familiar.

* Terezinha de Freitas Ferreira é Doutora em Enfermagem pela Universidade de São Paulo – USP. Professora do Centro de Ciências da Saúde e do Desporto – Ufac. Coordenadora do Projeto de Extensão “Educação em Saúde na Imprensa”.

** Jéssika Abrantes Pontes é acadêmica do 4º ano do Curso de Graduação em Enfermagem da Universidade Federal do Acre – Ufac. Bolsista do Projeto de Extensão “Educação em Saúde na Imprensa”.3

 

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