O Presidente Responde

Jackson Arpíni, 45 anos, presidente do Conselho Municipal de Saúde de Erechim (RS) – Há um crescimento significativo da drogadição, em especial do crack. O momento exige um enfrentamento efetivo, com ações conjugadas dos ministérios afins, governos estaduais, municipais e da própria sociedade para ações de prevenção, repressão, tratamento e ressocialização. Qual a sua opinião? 

Presidente Lula – Jackson, eu concordo plenamente com você. Tanto que há cerca de 30 dias convoquei uma reunião com as diversas áreas do governo envolvidas com o problema das drogas e cobrei uma integração das várias ações que vinham sendo feitas, para que tivéssemos mais efetividade nesse enfrentamento. O resultado é que, na semana passada, nós lançamos o Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas, composto de ações imediatas e estruturantes e que envolve a participação de 10 ministérios e órgãos do Governo Federal, estados, municí-pios e sociedade civil. Vamos investir, só este ano, R$ 410 milhões em ações de saúde, assistência e prevenção. Entre as ações planejadas, haverá a ampliação de operações contra o tráfico, apoio aos municípios para o aumento do número de leitos e dos serviços de atendimento e preparação de profissionais para tratamento e reinserção social. Vamos firmar parceria com universidades para capacitar 100 mil profissionais, sobretudo na prevenção. Estamos tomando estas e várias outras medidas e vamos envolver os governadores e prefeitos nessa luta, porque o problema é grave e atinge, sobretudo, os nossos jovens.

Fernando Esbroglio, 60 anos, comerciante de Porto Alegre (RS) – Por que V. Exª não exigiu uma contrapartida maior do Paraguai na flexibilização unilateral dos termos do contrato de Itaipu? Por exemplo, que o Paraguai estabelecesse controles de fronteira e aduana mais efetivos para evitar o contrabando ao Brasil.

Presidente Lula – É do nosso total interesse que os nossos vizinhos cresçam e se desenvolvam, pois assim poderão fortalecer o comércio inter-regional. Diferentemente do que se costuma apregoar, não é preciso que um lado perca para que o outro possa ganhar. Recentemente, definimos os mecanismos para a construção de uma linha de transmissão de Itaipu até a cidade de Villa Hayes, o que permitirá ao Paraguai utilizar a energia que lhe cabe e promover a industrialização do país. Quanto ao contrabando e também ao tráfico de drogas, nós temos atuado em parceria com o Paraguai, pois defendemos uma política de corresponsabilidade. Em 2009, iniciamos a Operação Sentinela, que envolve a Receita Federal e polícias federais e estaduais na intensificação da fiscalização de mercadorias, veículos, pessoas e embarcações. Temos investido na aquisição de aviões não-tripulados, que detectam movimentações suspeitas e possibilitam a abordagem por forças de segurança brasileiras e/ou paraguaias. Em relação ao tráfico, a Polícia Federal brasileira renovou recentemente o acordo de cooperação com a Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai. Essa parceria permitiu, em 2009, a destruição de mil hectares de plantações de maconha e, com isso, 2 mil toneladas da droga deixaram de entrar no Brasil.

Paulina Martins, 84 anos, aposentada de Brasília (DF) – Presidente, gostaria de saber se o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) terá prosseguimento no próximo governo?
Presidente Lula – Paulina, nós estamos fazendo a nossa parte, executando o maior conjunto de obras que o nosso país já viu. São obras de infra-estrutura Energética, Logística e Social-Urbana. Os investimentos do PAC 1, para o período 2007-2010, são de R$ 646 bilhões e para depois de 2010, de R$ 502 bilhões. A decisão sobre a continuidade do PAC caberá, evidentemente, ao próximo governo. Mas nós já deixamos encaminhado o PAC 2, para que quem vier depois de mim não deixe o crescimento desacelerar por falta de projetos ou de dinheiro no orçamento. São grandes projetos com investimentos de R$ 955 bilhões entre 2011 e 2014. Se depender da minha vontade, o próximo governante vai conduzir esse bastão porque é indispensável ao desenvolvimento do nosso país e à geração de empregos. No entanto, tudo o que eu posso garantir é que quem participou da concepção e da execução das obras do PAC, obviamente dará continuidade ao Programa.

 

 

 

 

 

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