Política nacional 24/05/2010

“Como é que nós senadores não percebemos?”

Cristovam Buarque, indagando por que ninguém no Senado, “com centenas de assessores”, percebeu que a mudança no projeto Ficha Limpa geraria controvérsia.

 Senado oficializa o ‘milagre da multiplicação’
Éoficial: cada senador está autorizado a promover o “milagre da multiplicação”. Pode contratar 12 assessores comissionados, incluído o motorista, sendo que alguns desses cargos podem ser subdivididos em salários menores, segundo confirma a Secretaria de Comunicação Social do Senado. Assim, um assessor remunerado a R$ 10 mil, por exemplo, pode se transformar em dez assessores de R$ 1 mil.

Preto no branco
A obscena “multiplicação de cargos” no Senado foi oficializada por ato da chamada “comissão diretora” do Senado.

81 trens da alegria
Cada um dos 81 senadores dispõe também de uma verba no valor R$ 80 mil para contratar até 20 “assistentes parlamentares”.

Dinheiro não falta
Além do salário e de outros penduricalhos, o senador ganha também a verba indenizatória mensal de R$ 15 mil para gastar como quiser.

Nervosismo
Jarbas Vasconcelos diz estar otimista: soube que sua candidatura ao governo de Pernambuco deixou o rival Eduardo Campos “nervoso”.

Tempos do cólera…
O Itamaraty vai passar um bom tempo sem receber pedidos do G-8 para agendar visitas ao Brasil de seus chefes de Estado ou governo. Confraternizando com autocratas e ditadores como o iraniano Mahmoud Ahmadinejad, Lula colocou o Brasil na antesala dos países do “eixo do mal”. Até a visita de Barack Obama, prevista para setembro, subiu no telhado. Já eram os tempos do “Cara”; agora, são “tempos do Cólera”.

Com Luiz Inácio
Sobrinho do senador Mão Santa, o deputado Antonio Moraes de Sousa será vice do governador Wilson Martins – palanque de Dilma no Piauí.

Escolhendo eleitores
José Serra desautoriza a cúpula do PSDB, resistindo aos palanques de Joaquim Roriz, favorito no DF, e de Efraim Morais (DEM) na Paraíba.

Ave em extinção
Cinco deputados estaduais tucanos desistiram da reeleição no Ceará: sem candidato ao governo, o partido deve sofrer severa lipoaspiração.

De olho na cadeira
Líder do PMDB, Henrique Alves (RN), que sonha suceder Michel Temer na presidência da Câmara com aval de Dilma, será o cicerone dela na primeira visita como candidata a Natal, na início de junho.

Encontro fatídico
Faltam três dias para a seleção de Dunga visitar Lula e seu pé-gelado, que vitimaram esportistas como Guga, Popó, Roberto Carlos, Adriano e Ronaldo, e clubes vencedores que experimentaram derrotas incríveis.

Liturgia nenhuma
Deputados distritais do DF não estão nem aí para a liturgia do cargo. Vão às sessões de mangas de camisa. Se fosse para o trabalho das comissões, vá lá. Mas usam a tribuna envergando trajes de shopping.

O que falta a Dutra
Presidente do PT, José Eduardo Dutra diz que não vai disputar a eleição de outubro para se “concentrar” na campanha de Dilma. Ele conta lorota. Dutra coleciona derrotas, em Sergipe, desde sua eleição para o Senado, em 1994. Não lhe falta vontade. Faltam-lhe votos.

Afinadíssimos
Dilma Rousseff mandou a assessoria espalhar que ela ficou irritada com um artigo do ex-ministro José Dirceu, acusando a “grande mídia” de fazer o jogo de José Serra. Mas é tudo combinado entre eles.

Jogo bruto
Pode sobrar para Júlio Bono, “homem-sombra” de Michel Temer, a irritação do PMDB paulista com sua aliança com a petista Dilma Rousseff. O impasse pode dificultar qualquer projeto político de Bono.

Vergonha?
O presidente da Confederação Nacional da Indústria, Armando Monteiro Neto (PTB-PE), está entre os deputados que evitam usar nas ruas o broche que os identifica como parlamentares.

Disputa, nem pensar
Virgílio Guimarães (PT), que perdeu para Severino Cavalcanti (PP-PE) o reinado do baixo clero na Câmara, pode ser vice de Hélio Costa (PMDB) em Minas. Mas aceitaria de bom grado a suplência no Senado.

Pensando bem…
… depois de levar a quarta multa no Tribunal Superior Eleitoral, só falta o presidente Lula ser multado no Conar por propaganda enganosa.

PODER SEM PUDOR
Preliminar de encrenca
Ao empossar Herilda Balduíno na Comissão de Direitos Humanos da OAB, o então presidente nacional da entidade, Roberto Busato, saudou a advogada como “nossa querida preliminar de encrenca”. O apelido foi cunhado no regime militar pelo então advogado Sepúlveda Pertence, hoje decano do STF, que sempre a indicava para defender advogados vítimas da repressão policial. “Eu criava confusão, quebrava o pau com a polícia, e não me arrependo”, diz Herilda, que ainda fez jus ao apelido e presidiu no DF a Associação Brasileira de Mulheres de Carreira Jurídica.

 

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