Comoção Social e debates marcam o 1º Encontro Estadual Sobre Adoção

Ser pai ou mãe adotivo é um compromisso que exige um acervo inesgotável de carinho e solidariedade. Para incentivar este amor incondicional, o Tribunal de Justiça (TJ/AC) e o Ministério Público (MPE) realizaram ontem, às 9h, no auditório da Fundhacre, o 1º Encontro Estadual Sobre Adoção. O encontro termina hoje, mesmo local, e visa reunir os parceiros e sociedade em geral para discutir sobre as inúmeras vantagens da adoção.

Poderia ter sido só mais um evento comum dos magistrados acreanos, mas o forte apelo so-cial e a curiosidade tornaram o debate num caloroso tira-dúvidas sobre tal ato, capaz de mudar muitas vidas. Na platéia, mais de 350 servidores do judiciário e de várias outras áreas (Saúde, Educação, assistência social, etc) assistiram às palestras dos psicólogos de Recife/PE Luiz Schettini e Suzane Moeller, da promotora Kátia Rejane Rodrigues e do juiz Romário Divino.

Com explicações técnicas e psicológicas, o encontro se mostrou um verdadeiro espaço aberto sobre adoção aos acreanos. Mas o seu maior sucesso não poderia ficar restrito a tirar dúvidas. Conforme o procurador-geral do Estado, Sammy Barbosa, o ponto mais importante da discussão é o fortalecimento da prática na sociedade.

“Acima de tudo, a adoção é um ato de amor, pois cura a necessidade dos pais de terem filhos e dos filhos de terem pais. Assim, crianças que cresceriam nas ruas têm a chance de ter um lar e se tornarem bons cidadãos. Por isso, eu vejo a adoção como um trabalho fundamental para que tenhamos uma sociedade melhor no futuro”, ponderou Sammy.

Palavras reforçadas pelo presidente do TJ/AC, desembargador Pedro Ranzi. Segundo ele, ampliar o debate sobre a adoção motiva o Acre a legalizar o ato. Com isso, o Estado supera práticas como a ‘adoção à brasileira’ (adotar sem processo legal parentes, órfãos de amigos, afilhados, etc). Além disso, Ranzi destacou a ação memorável realizada no Juizado de Menores por Maria Tapajós e as atuais parcerias TJ para fomentar a adoção.

Entre estas parcerias, destaca-se o empenho da Associação dos Magistrados do Acre. Representada pelo juiz Giordane Dourado, a Asmac vem contibuindo desde 2007 com a campanha Mude Um Destino, uma iniciativa para estimular a prática. “Para nós, a adoção significa a consagração dos Direitos Humanos”, define Dourado.

Atualmente, o Acre possui 5 menores prontos para adoção: 3 crianças e 2 adolescentes.

Caso Vera Lúcia – A acusação de maus-tratos da procuradora aposentada Vera Lúcia Gómez a uma criança de 2 anos, no Rio de Janeiro, foi um dos fatos que mais chocou o país neste último mês. Um caso de adoção que saiu muito errado, e que não poderia deixar de ser tratado no encontro do Acre. Segundo Sammy Barbosa, tal episódio não pode ser tomado como parâmetro para definir as adoções no Brasil. Aliás, é para evitar tragédias como estas que ele aponta a necessidade de se discutir o ato publicamente.

“Não queremos maus-tratos. O que buscamos é garantir felicidade para as crianças adotadas, em lugares seguros e saudáveis”, completou o desembargador Pedro Ranzi.   

 

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