Na Amazônia peruana, Petrobras fica de fora de reserva indígena

Após sofrer muita pressão internacional, o governo peruano decidiu deixar de fora para exploração dos recursos naturais a reserva que abriga grupos indígenas isolados. Com a decisão, a estatal brasileira Petrobras será a maior prejudicada, já que detinha grande parte das concessões. Além de grupos sem contato com o homem branco, a reserva também abriga os Ashaninkas, que se espalham por toda a extensão do Rio Juruá nos territórios do Peru e do Acre. 
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Com filial no país vizinho, a Petrobras Energia Peru S.A, a empresa tinha adquirido, em 2005, a permissão para explorar uma área de 1,4 milhão de hectares espalhados pelo Alto Rio Juruá, também conhecida por Lote 110. Essa é uma das re-giões da Amazônia mais rica em petróleo e gás natural. De olho nesta riqueza, o Acre quer prospectar o Vale do Juruá para futuras atividades de exploração.

Mês passado a ANP (Agência Nacional de Petróleo) anunciou a abertura de licitação para a perfuração de dois poços no Acre. Com o Juruá protegido por unidades de conservação e terras indígenas, uma eventual ação da Petrobras encontraria resistência ambiental. É lá, ainda, que se concentra uma das maiores biodiversidades do Planeta. 

Os entusiastas da idéia afirmam que a estatal é um exemplo de exploração com respeito ao ambiente. Eles evocam a Província Petrolífera de Urucu, no meio da Floresta Amazônica. Localizada a 600 quilômetros de Manaus, a unidade é responsável pela extração de petróleo e gás natural. Vez por outra ela é visitada por políticos acreanos.

Ao regressar, afirmam: o Estado tem capacidade para explorar sua energia fóssil nos moldes do vizinho.   

A produção em Urucu torna o Amazonas um dos mais importantes estados exploradores de petróleo. São mais de 50 mil barris por dia. Já a produção de gás natural é de 10,36 mil metros cúbicos diários. A província está em funcionamento desde 1988 e tem um complexo sistema de gasoduto que “rasga” a floresta. São 740 quilômetros de dutos. Destes, 600 estão na superfície e 140 submersos.

Presente na Amazônia desde 1953, a Petrobras propagandeia-se de suas atividades exploratórias com respeito à imensurável riqueza biológica da região. Para a estatal, Urucu “é um dos melhores exemplos de que é possível conciliar desenvolvimento econômico com preservação ambiental”. “Esse modelo único, idealizado pela empresa no interior da maior floresta do mundo é, hoje, referência internacional”.

Já no Peru a empresa atua desde 1996. Sua principal atividade está na Bacia de Talara, noroeste do país. A capacidade de produção no Lote X é de 16 mil barris por dia. Além de Talara, a Petrobras atua nas bacias de  Marañon, Huallaga, Madre de Dios e Ucayali.

Em novembro último foi concluída a perfuração de um poço (Urubama 1X) em Cusco. Em 2010 a Petrobras fará outras prospecções no Peru. A GAZETA entrou em contato com a assessoria de imprensa da estatal para que a mesma se pronunciasse sobre sua retirada da reserva na Amazônia peruana, mas até o fechamento desta edição não obteve retorno.

A brasileira pode repor a perda com um novo lote de reservas a ser aberto. Ao todo, Lima pretende abrir a concessão de mais 10 milhões de hectares – a maioria na Amazônia.

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