Sesacre alerta sobre riscos mortais aos ‘vampiros emos’ do Tucumã

A Secretaria Estadual de Saúde (Sesacre), por meio da Divisão de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), alerta que os jovens e crianças submetidos a rituais de sucção de sangue (como os ‘vampiros emos’ que foram flagrados na madrugada de segunda, no Parque do Tucumã) estão sujeitos a contrair doenças mortais e incuráveis, como AIDS e hepatites (A B e/ou C). Além disso, outras doenças de caráter ‘mais íntimo’ podem ser adquiridas, tais como infecções, sífilis, febres, doenças renais, baixas imunológicas, entre outras.

De acordo com Francimeyre Muniz de Lima, gerente da DST/AIDS da Sesacre, o ‘vampirismo emo’ (ou sob qualquer outra tendência modista) é uma prática inédita para a divisão acreana. Porém, o mais difícil para a sua anulação é que se trata de um ato que restringe a atuação pública apenas a conselhos, indicações e recomendações junto às famílias.

Sendo assim, a gerente da DST conta que ainda está se reunindo com as demais competências estaduais e municipais (Secretaria de Segurança Pública, da Infância e Juventude, Creas/RB, etc) para tentar achar os melhores caminhos a serem seguidos. Ainda hoje é provável que se comecem ‘inter-reu-niões’ para discutir a questão. A meta é garantir a execução de uma abordagem mais eficaz para se evitar tal prática.

E não é à toa que medidas urgentes devem ser tomadas. Segundo relato de jovens, há mais grupos na cidade que fazem rituais semelhantes aos do Tucumã. Alguns, inclusive, em praças do Centro da Capital, de madrugada. Segundo a gerente da DST, as doenças transmitidas por estes jovens – que cortam os pulsos e sugam o sangue uns dos outros para compartilhar o estilo ‘emo de ser’ – trazem seqüelas irreversíveis ao organismo (tumores, inflamações, meningites virais, cansaços e dores permanentes, pneumonias, perda da coordenação motora, demência, colapso do sistema imunológico, etc).

“Os riscos de doenças graves nestas práticas não só existem, como são altíssimos. Ao sugar o sangue de outra pessoa, este líquido contaminado pode passar por alguma lesão na mucosa da boca, ou mesmo em outras partes internas do sistema digestivo, caindo diretamente na corrente sanguínea deste sugador. Isso provoca a contaminação direta e da pessoa, especialmente para o vírus do HIV e para as hepatites”, explicou a gerente.

Entre uma das ações da DST/AIDS da Sesacre já programadas, está identificar os jovens em questão e lhes fazer visitas para conscientizá-los destes riscos. Outra providência será aconselhá-los a se submeter a exames sanguíneos, no sentido de identificar se houve ou não algum tipo de contaminação ao seu organismo.

Assunto será levado à conferência regional
A preocupação em relação aos novos ‘vampiros emos’ do Tucumã foi tão grande que a gerente do DST adiantou que o assunto não ficará restrito a discussões locais. Ela será levada para as pautas de debates na conferência macro-regional do Norte, sediada por Rio Branco, no auditório do Dabs, entre 19 a 21 de maio, próximas quarta a sexta-feira.

Conforme Francimeyre de Lima, os rituais macabros e os testes de iniciações de grupos (como o destes jovens flagrados) deverão ser amplamente discutidos com os gestores de toda a região, a fim de se buscar políticas públicas mais efetivas para combater tais atos no Acre. Além deste tópico, os demais eixos básicos de DSTs (contágios, ações, eventos de conscientização, tratamentos, remédios, etc) devem ser avaliados e renovados.

“É uma reunião na qual se discutirá o nosso verdadeiro papel diante da sociedade e a forma como podemos melhorar a atuação local. Em relação a estas práticas inomináveis, será importante para nos ajudar a implementar ações que, pelo menos, consigam reduzir o número de participantes destas seitas”, concluiu a gerente.

 

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