Senadores dizem que Ministério da Saúde é omisso em relação ao crack

A ausência de estatísticas oficiais e de repasse de verbas do governo federal para os centros de recuperação de usuários de drogas são os principais entraves no combate ao crack, na opinião da maioria dos senadores que participaram hoje (11) de uma audiência pública para discutir o avanço e os riscos do consumo da substância.

O senador Flávio Arns (PSDB-PR) destacou que atualmente os centros de recuperação de usuários precisam se manter financeiramente com apoio da iniciativa privada ou de verba municipal. “As comunidades terapêuticas recebem 0% de recursos públicos federais”, afirmou. A vice-presidente da Frente Parlamentar de Combate ao Crack, a senadora Rosalba Ciarlini (DEM-RN), reforçou a ideia. “Só as prefeituras fazem sua parte, o ministério é omisso.”

Segundo o assessor técnico da Coordenação de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas do Ministério da Saúde, Francisco Cordeiro, atualmente o órgão se baseia em pesquisas da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e de outros institutos, mas há uma investigação do próprio ministério em andamento para identificar o perfil do usuário de crack no país.

Desde o lançamento do Plano Emergencial de Ampliação de Acesso ao Tratamento e Prevenção em Álcool e Outras Drogas, em julho de 2009, a pasta elaborou 34 projetos de consultórios de rua e criou 52 novos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), clínicas que atendem pacientes com problemas de saúde mental.

As ações, no entanto, foram criticadas pelos parlamentares. Para a senadora Patrícia Saboya (PDT-CE), o Ministério da Saúde deveria pensar em estratégias exclusivas para usuários de droga em vez de tratá-los como pacientes com distúrbios mentais. “O ministério está fazendo algo ineficiente e inadequado. O Caps ou um hospital psiquiátrico não podem dar ajuda a um dependente que precisa de internação em tempo integral”, defendeu.

Especialista no assunto, o professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Ronaldo Laranjeira chamou a atenção também para a gravidade do aumento do consumo. Segundo ele, estudos realizados em São Paulo mostram que cerca de 30% das pessoas morrem em até cinco anos depois de se tornarem viciados. “Nenhuma doença mata um terço dos pacientes em cinco anos. Essa quantidade significativa mostra que o crack é o maior problema de saúde pública do país”, opina.

Ele ainda apontou as possibilidades de recuperação dos usuários e citou experiências bem sucedidas, como a de uma clínica mantida pelo estado de São Paulo, em São Bernardo do Campo . “O ideal é a pessoa receber uma imersão em todas as técnicas disponíveis, mas isso tem um custo alto. Nessa clínica, por exemplo são gastos R$ 100 reais por dia para cada paciente.”  (Agência Brasil)

 

 

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