Soldados da borracha: pode ser votada este ano a pensão de R$ 4,5 mil

O presidente da Câmara Federal, Michel Temer, disse apoiar a votação, ainda este ano, da Proposta de Emenda à Constituição que aumenta para mais de sete salários mínimos a pensão dos seringueiros recrutados para a extração do látex durante a Segunda Guerra Mundial. O apelo a Temer foi feito pessoalmente na manhã de ontem pela deputada Perpétua Almeida (PCdoB), autora de um relatório aprovado, em comissão especial, que eleva, em valores atuais, para R$ 4,5 mil, a aposentadoria dos soldados da borracha. Este é o valor pago, a título de pensão especial, aos ex-combatentes de guerra. A deputada também garantiu, num voto apensado à PEC, uma gratificação natalina no mesmo valor da aposentadoria.

A PEC, apresentada pela deputada Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), que também reforçou o apelo pela votação em plenário neste segundo semestre de 2010, passou com êxito em todas as comissões da câmara, e deve entrar nas discussões do colegiado de líderes para definir quais propostas devem ir ao plenário antes do recesso do fim do ano. 

O Ministério da Previdência, que paga pensões individuais no valor de R$ 1.020,00, contabiliza cerca de 12 mil beneficiá-rios, inclusive dependentes, dos quais a metade morando no Estado do Acre atualmente.  “Esta proposta mexe com o sentimento e a memória dos que habitam a Amazônia”, ressaltou Irlan Silva, advogado dos soldados da borracha nos estados do Acre e Rondônia. “Não haverá justiça social se estes homens não forem reconhecidos pelo governo brasileiro após terem dedicado praticamente a vida inteira à nação”, deixou claro Vanessa Grazziotin.

“Eu não me oponho de forma alguma. Nós entendemos ser justa esta proposta”, disse  Michel Temer. “Esta é uma das poucas PEC’s que buscam fazer justiça àqueles que têm uma história de luta em defesa do país”. Os parlamentares esperam que a PEC dos Soldados da Borracha seja prioridade nas discussões para definir a pauta de votação no plenário nos próximos meses.

Seu Claudionor Ferreira, presidente do sindicato da categoria em Porto Velho, é, aos 85 anos, o mais novo dentre os soldados da borracha em Rondônia. Para ele, “aprovar amanhã esta PEC pode ser tarde demais”, numa referência à elevada idade dos ex-seringueiros. “A grande maioria vive em situação precária, está doente e tudo que pedem é serem reconhecidos ainda em vida”, finalizou ele. (Assessoria)

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