Ufac participa de congresso mundial de universidades em Guadalajara, amanhã

A partir de amanhã, 31 de maio, será aberto em Guadalajara, México, uma ocasião que tem tudo para se tornar um marco de qualidade ao Ensino Superior brasileiro. Trata-se do II Encontro Internacional de Reitores, uma iniciativa do Banco Santander e do Grupo Universia, com o objetivo de incentivar o pleno debate entre as 1.169 universidades convidadas e procurar soluções reais para melhorar a educação mundial.
Especial-Ufac1
O congresso acontecerá através de mesas redondas, na segunda e na terça (1º). Ao todo, são 11 mesas por dia. O tema será a busca ‘por um espaço Iberoamericano socialmente responsável’. Desde o final de 2009, a comitiva brasileira de reitores está formulando os planos de debates para o encontro. A meta nacional foi juntar 1 milhão de idéias e compilá-las em propostas a serem levadas a Guadalajara, a mais de 4,8 mil Km do Acre.  

Pela logística técnica de gestão universitária, o Brasil será o maior participante do evento, com mais de 300 instituições de destaque. Quem não poderia faltar entre estas é a Universidade Federal do Acre (Ufac), representada pela reitora Olinda Batista. Ela participará de 4 mesas, durante os dois dias: a formação de professores; a inovação e a transferência de saberes; a internacionalização; a mobilidade e cooperação universitária e, por fim, a Educação Superior e conhecimento como fatores de inclusão social.

Para os leigos, estes parecem temas demasiadamente gerais e que jamais poderão mudar coisa alguma na realidade da Educação Superior do Acre. É aí que muitos se enganam! A discussão aberta de tais pontos com universidades do mundo inteiro é justamente uma das peças que faltam para completar o quebra-cabeça que a Ufac começou desde 2007. Trata-se do modelo da ‘Universidade Nova’, que pode ser uma revolução educacional.

De acordo com Olinda Batista, esta perspectiva tem como propósito fazer com que o aluno já tenha uma pré-concepção sobre o Ensino Superior e o mercado antes mesmo de ele ter ingressado no sistema. Difícil de entender? A própria reitora explica: o estudante sai do Nível Médio preparado. Entra na faculdade e passa de 1 a 2 anos estudando só as disciplinas básicas, como Sociologia, Literatura, Portu-guês, etc. Após esta fase, ele passa a montar sua grade com as matérias que lhe agradem e que o ajudem a construir o profissional que ele quer ser. Em resumo, é a ‘profissionalização do universitário’.

“É um formato interessante, mas também problemático. Num processo destes, é preciso analisar as dificuldades de acesso ao Ensino Superior do acreano. Além disso, casos na Argentina mostraram que quando chega o 3º ano, a maioria escolhe Medicina (atrativa pelo salário). Daí, muitos entram numa fila de espera e terminam o curso com até 10 anos. Por isso, é bom ver as experiências em eventos como este do México, para tentar desenvolver melhor a idéia”, analisa a professora.

De prático, Olinda comenta que o encontro será uma base importante de acordos, recomendações e parâmetros didáticos. Assim, será feito um documento de sustentações globais, que guiará universidades do mundo todo até um novo modelo de intercâmbios e universalidade. Entretanto, um papel, por si só, não é suficiente. As instituições têm a tendência de nem sempre seguir acordos por conta de seus regimentos internos/locais.

Atenta a isso, a reitora da Ufac aposta que a maior mudança que Guadalajara trará para o Brasil não será na execução, e sim na parte teórica. Segundo ela, por se tratar de um evento de alto alcance será possível estudar casos de outras faculdades (como o da ARG) e adaptá-los à realidade local, descartando defeitos e aproveitando as potencialidades.

“O encontro será uma forma de saber como está o Ensino Superior no mundo, a fim de entrarmos neste nível global. Portanto, acredito que voltaremos de lá com concepções interessantes sobre os temas discutidos e até mesmo com uma integração maior entre a Ufac e as universidades, tanto as internacionais, quanto as brasileiras”, destaca Olinda.

O congresso de Guadalajara será a continuação do que já começou a ser discutido no primeiro encontro de Sevilha, na Espanha. Conforme estimativas do Grupo Universia, mais de 800 mil pessoas devem participar do evento, das quais mais de 80 mil devem assistir as 4 mesas em que a reitora da Ufac fará as suas considerações.

Especial-Ufac2
Internacionalização do ensino com o mundo
A internacionalização é, sem dúvida, o maior objetivo almejado pelos debatedores de Guadalajara. A temática se baseia na premissa de que um grupo de institutos de Ensino Superior possa funcionar de maneira universal, ou seja, o que é lecionado no Acre deve ser semelhante ao que é ensinado em Cuba ou qualquer outro local integrado ao sistema.

Através da unificação, seria o fim das burocracias impostas às faculdades, o aluno que se formar aqui teria validação do seu diploma para atuar em qualquer lugar do mundo (e vice-versa), o intercâmbio de estudantes entre quaisquer destinos seria ilimitado, as transferências de curso seriam formalizadas rapidamente, entre outros benefícios. 

No mundo, a língua adotada dentro das universidades seria o Inglês. Nas Américas (que é o sonho almejado pelo congresso no México), predominaria o Espanhol. Logicamente, para acostumar os estudantes a tais idiomas, as faculdades teriam que instalar centros de formação lingüísticos preparatórios. No Acre, Olinda Batista explica que seria preciso melhorar a escrita e a fala do Espanhol, já que o entendimento da língua já é razoável. 

“Este é um ponto central de discussão porque facilitaria bastante a vida do estudante e lhe abriria as portas de mercados no mundo inteiro. Inclusive, já estamos discutindo isso como prioridade na Associação dos Reitores do Brasil. Para o Acre, em particular, há dificuldades maiores. Com exceção do Peru e Bolívia, nossa localização é distante de tudo e não temos muita infra-estrutura de estradas, além da falta de tradição para sediar eventos. Mas, apesar disso, queremos, sim, aumentar a nossa integração”, pondera ela.

A construção educacional de uma Amazônia sustentável e científica
Especial-Ufac3
Para o mundo inteiro, mencionar hoje a palavra ‘Amazônia’ já remete instantaneamente à adoção de políticas verdes. Para o Acre, então, ser sustentável é mais do que desafio, é uma diretriz básica, ou mesmo um tipo de necessidade essencial. É daí que as coisas não podem se confundir! Segundo Olinda Batista, a sustentabilidade é importante para a Ufac, mas só isso não preparará os alunos para as exigências do mercado no futuro. É preciso investir, também, no fortalecimento da pesquisa, ciência e tecnologia acreana.

“Na região Norte, ainda há uma carência muito grande de pesquisas e de extensão, além de profissionais com doutorado. Precisamos superar tal quadro se pretendemos melhorar nossa Educação. Neste ponto, eu acho que o Banco Santander, patrocinador do encontro em Guadalajara, é um grande parceiro porque hoje ele quer investir na biodiversidade local de verdade. Isso é importante, até para nos trazer novos aliados”, enaltece ela.

Outra luta da Universidade Federal do Acre neste projeto de generalização é estender o interesse dos seus ingressantes das áreas do Direito, Medicina e Enfermagem para os demais cursos oferecidos.  

Aposta nas engenharias – Para transformar a Ufac no produto completo que se espera para o futuro, Olinda adianta que a grande aposta da reitoria é na consolidação das modalidades de engenharias. Para ela, a maior exigência do mercado, tanto regional, como nacional está, aos poucos, sendo direcionada para as engenharias. Assim, a área está se firmando como uma das linhas de frente das universidades brasileiras.

“E nós estamos no caminho certo para atender esta nova demanda com a mão-de-obra qualificada. Melhoramos os nossos cursos de Engenharia Civil e Florestal, e ainda criamos a Elétrica. Eu creio que temos potencial para muito mais, e acho que a parceria com a Eletrobras vai contribuir bastante nesse sentido”, concluiu a reitora.

Especial-Ufac4
Mobilidade universitária (a presencial e a virtual)
Outro grande tema de interessa da Ufac, a mobilidade entre as universidades envolve o debate em duas frentes. A primeira delas é quanto ao intercâmbio físico (ou presencial) de alunos e docentes, seja para eventos, mestrados, capacitações, aulas e/ou programas culturais. A segunda é a discussão das aulas lecionadas de modo virtual, metodologia representada especialmente pela famosa educação à distância.

Segundo Olinda Batista, no que diz respeito ao módulo presencial é importante ressaltar que ainda há muitas divergências nos métodos de ensino adotados entre as instituições. Isso faz com que as mesmas disciplinas e exercícios de um local não sejam devidamente aceitos pela realidade trabalhista e pela legislação de outros lugares. Dessa forma, fica claro que enquanto as universidades não aproximarem seus conteúdos será difícil estimular este meio presencial de intercâmbio. Neste ponto, o Acre ainda está distante da igualdade com seu atual formato de aulas e técnicas, se comparadas com as demais instituições.

Já no tocante ao módulo virtual, a reitora enxerga o crescimento da proposta como algo benéfico ao Estado. Isso porque a educação à distância, apesar de ainda apresentar falhas de execução, pode amenizar (e muito) as barreiras físicas que o Acre tem devido à sua localização afastada dos grandes eixos de Ensino. “Aqui, há certa dificuldade para trazer profissionais e docentes de determinadas áreas. Com a educação à distância, poderíamos suprir esta carência humana e de recursos, e/ou até mesmo criar cursos diferentes para melhorar a realidade local”, defende Olinda.

Formação de professores
Especial-Ufac5
A formação de professores é uma das questões que mais será abordada pela reitora da Ufac no congresso. Segundo Olinda, para que a Educação Superior possa atingir um novo patamar de excelência e eficácia é preciso investir maciçamente na qualificação de docentes. Afinal, bons cursos só podem ser ministrados por uma equipe de mestres e doutores melhor ainda. Para tanto, ela prega que o Brasil tem de oferecer incentivos (salários, condições, etc) a mais para as capacitações de seus educadores.

“Além disso, a legislação brasileira ainda é muito fechada. Quem faz um mestrado ou doutorado para fora ainda tem muita dificuldade para revalidá-lo por aqui. Eu creio que devemos achar mais meios para facilitar a aceitação destes diplomas”, completa.

Outro aspecto vital sobre a formação de docentes é a descentralização. Conforme Olinda Batista, as universidades e unidades do interior de todo o país, principalmente as da região Norte, sofrem bastante com a falta destes profissionais, o que provoca um êxodo de alunos para as capitais. De tal modo, também é preciso se pensar em maiores benefícios para começar a levar os bons professores aos lugares mais afastados.

 

Assuntos desta notícia


Join the Conversation